Titulação de professores na berlinda
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domingo, 16 de maio de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
As universidades públicas estaduais do Paraná estão bem servidas de doutores. Essa é a opinião do professor Antônio Alpendre, presidente de Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp). Dos 5.610 professores efetivos das instituições paranaenses, 49,1% são mestres e 26,2% doutores.
''É uma média relativamente alta'', avalia Alpendre. Este ano, as federais de Rondônia (Unir), Pará (UFPA) e Amazonas (Ufam) tiveram de reabrir concursos públicos para docentes por falta de inscritos qualificados. No final de 2008, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) lançou um plano de estímulo a novas propostas de pós-graduação para suprir a demanda: o Programa de Apoio à Pós-Graduação (PAPG).
Segundo Alpendre, a associação não possui um número mínimo de professores titulados recomendado às universidades, mas a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), exige que pelo menos um terço de todo o corpo docente seja formado por mestres e doutores. ''E nossas universidades tem número maior de doutores, inclusive. Nenhuma universidade tem menos de 40% de professores titulados''.
''Seis anos atrás, a Fafipar (Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá - onde é diretor) tinha um corpo de 70 professores com apenas um doutor e sete mestres. Atualmente ele conta com 20 doutores e mais de 40 mestres'', exemplifica. Para ele, o número atual de professores titulados nas universidades do Paraná se deu pela política direcionada ao Ensino Superior do governo estadual que tem estimulado os professores a participar de programas de pós-graduação.
Dos 1.592 docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mais da metade possui título de doutor (55%) e 33% tem título de mestre. Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL, Edson Miglioranza, o número de doutores na universidade é menor em áreas específicas como as de Engenharia e Ciências Contábeis. Na sua opinião, a solução para o problema é investir em bolsas e programas de doutorado, o que diz ter acontecido na universidade nesses últimos anos. Em 2010, seis cursos devem ser propostos pela UEL, dos quais três são de doutorado nas áreas de Direito, Ciências Biológicas e Serviço Social.
A professora do curso de Ciências da Informação da UEL, Terezinha Batista de Souza, adquiriu recentemente o título de doutora em Ciências Documentais pela Universidade do Porto, em Portugal. Ela dá aulas há quinze anos na universidade e diz ter sentido a necessidade do doutoramento principalmente depois que o departamento abriu um curso de mestrado profissional. ''Para fazer parte do programa de mestrado é preciso consolidar o corpo de doutores'', enfatiza.
Na sua avaliação, hoje em dia o doutorado é indispensável na carreira de professor. ''Nos editais de concurso público em universidades a pessoa não consegue mais entrar sem doutorado. Quem quer seguir a docência não pode parar'', salienta.
Para ela, uma das dificuldades encontradas pelos professores ao decidir encarar um doutorado é a aprovação nos programas de mestrado e o número insuficiente de bolsas de estudo para a finalidade. ''São poucos os programas de doutorado no Brasil, portanto as exigências e a concorrência para o ingresso são grandes.'' Mesmo o curso em que Terezinha desejava fazer seu doutorado não havia em Londrina, o que a fez procurar por outras opções. ''Sem bolsa de estudos, fica muito difícil fazer doutorado'', acrescenta.
O pró-reitor de Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Benedito do Prado Dias Filho compartilha da opinião. ''A pessoa quando vai fazer um doutorado está com 25 a 30 anos, uma faixa de idade em que é casada, tem filhos, e tem que ter um programa com bolsa para poder se sustentar.'' Dias Filho afirma que a instituição atualmente tem 472 estudantes em programas de doutorado, e poucos deles conseguem uma bolsa de estudos. ''É muito difícil um programa novo de doutorado ter mais que dois ou três alunos contemplados.''
Na UEM, o número de professores com doutorado passa dos 65% de todo o corpo docente. ''Mas essa realidade não é igual em todas as universidades estaduais. Em universidades mais novas a situação é bastante diferente. Provavelmente o número de doutores não passa de 30%.'' Para ele, a demanda de doutores pode ter origem no aumento de vagas nas universidades particulares e federais com as ações do governo para a expansão do Ensino Superior.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) do Paraná, o governo mantém suas ações voltadas à verticalização do Ensino Superior com a consolidação e ampliação dos programas de Mestrado e Doutorado através do Programa de Verticalização do Ensino Superior e Formação de Pesquisadores, desenvolvido pela Seti por meio da Fundação Araucária.


