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Londrina

MERCADO DE TRABALHO 5m de leitura Atualizado em 10/01/2022, 14:13

TI também tem espaço e valoriza os cinquentões

Mercado de Tecnologia se destaca por conservar pessoas mais sábias no time; experiência e paixão para ensinar.

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Walkiria Vieira - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Um estudo da Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais estima que, de 2019 até 2024, serão gerados em torno de 420 mil novos postos de emprego em TI, uma média de 70 mil ao ano. Só em Londrina, segundo dados da Secretaria do Trabalho e Emprego, hoje são mais 1.000 vagas em aberto no segmento. Em contrapartida, os cursos superiores voltados para a área formam apenas 46 mil alunos por ano no Brasil, o que fomenta a disputa das empresas pelos melhores profissionais, ao mesmo tempo em que abre uma grande oportunidade para empreendedores e profissionais atuarem na atração e formação inicial e continuada de talentos para o segmento.

Segundo os especialistas, pessoas maduras sabem pensar em toda cadeia produtiva de uma empresa para elaborar um sistema
Segundo os especialistas, pessoas maduras sabem pensar em toda cadeia produtiva de uma empresa para elaborar um sistema
  

O mercado de atração e formação de talentos em TI está superaquecido e tem gerado oportunidades em todos os níveis de ensino: desde crianças e adolescentes por meio de cursos de letramento digital; cursos técnicos mais específicos para quem deseja se especializar ou se atualizar; cursos de nível superior para quem procura uma formação mais completa; ou ainda cursos de inclusão digital para a melhor idade (60+). Além disso, o profissional pode atuar como empreendedor, mentor ou ministrando aulas e palestras. Pode ser autônomo, atuar de forma on-line ou presencial, pode fazer parte de uma instituição de ensino ou ainda de uma empresa por meio de uma universidade corporativa.

De acordo com Ana Paula Murakawa,  sócia-diretora na On Demand Academy, empresa voltada ao desenvolvimento de soluções para formação de talentos em TI e inovação e docente de pós-graduação na área de Gerenciamento de Projetos e Inovação e membro da governança do Arranjo Produtivo Local de TIC de Londrina e Região e do Conselho de Ciência e Tecnologia do município, a procura por profissionais qualificados no segmento cresceu em ritmo acelerado.

Em relação à procura por pessoas experientes, Murakawa pontua que na contramão de muitos segmentos que sofreram forte retração nos últimos anos, o setor de tecnologia da informação é um dos que mais cresceu impulsionado pela pandemia e pelo processo de transformação digital. "Segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento foi de 8,3% em 2020 e fechou em cerca 21% em 2021 segundo projeções do iMonitor IT, pesquisa especializada do setor", informa.

Ana Paula Murakawa:"O mais importante é entender a relevância do seu papel como formador e o impacto que sua atuação é capaz de gerar em si próprio e em quem recebe e compartilha o conhecimento que tem"
Ana Paula Murakawa:"O mais importante é entender a relevância do seu papel como formador e o impacto que sua atuação é capaz de gerar em si próprio e em quem recebe e compartilha o conhecimento que tem" |  Foto: Divulgação
 

Como consequência,  Segundo dados do Banco Nacional de Empregos (BNE), em 2021, houve um aumento de 46,2% no número de vagas abertas em TI. No entanto, faltam profissionais disponíveis para contratação e o volume com que são formados também não tem se mostrado suficiente para suprir o crescimento exponencial desta demanda. "A idade não é um pré-requisito obrigatório para o profissional que deseja atuar neste segmento, mas a combinação de conhecimento, perfil e experiência contam, esclarece. 

Murakawa considera a mescla de jovens e profissionais mais maduros na composição algo extremante rico, uma vez que ela permite conectar a agilidade e a intuitividade em lidar com questões tecnológicas naturais dos mais jovens (que já nasceram em um mundo totalmente digital), à maturidade e a visão mais ampla para lidar com desafios e a resolução de problemas complexos de alguém mais experiente que precisou se adaptar a inúmeras mudanças e transformações ao longo da vida. "A atuação na área de TI é exigente e em muitos casos marcada pela correria do dia a dia, cobranças por resultados, necessidade de disponibilidade, altas demandas e um ritmo acelerado", alerta.

Por isso, Murakawa pensa que a área de formação ou docência se apresenta naturalmente como uma alternativa para os profissionais mais maduros, em sua maioria a partir dos 40 anos, quando ao alcançarem uma nova realidade de vida e propósito, optam por realizar uma transição de carreira buscando mais tempo,  flexibilidade, qualidade de vida e longevidade profissional, mas sem abdicar da experiência e dos conhecimentos conquistados ao logo dos anos de dedicação à área de TI, que são ativos muito valorizados na área de docência e formação de talentos em geral. 

MADUROS, ATUALIZADOS E INDISPENSÁVEIS

Sebastião Custodio Alves Jr. , 56 anos, trabalha na Sercomtel: ""Sou muito respeitado pelo nível de conhecimento"
Sebastião Custodio Alves Jr. , 56 anos, trabalha na Sercomtel: ""Sou muito respeitado pelo nível de conhecimento" |  Foto: Divulgação
 

Coordenador de Desenvolvimento de Sistemas, Sebastião Custodio Alves Jr. tem 56 anos e segue na ativa na Sercomtel. O mais velho de seu time, é uma referência para os demais colegas, dada a sua experiência. "Sou muito respeitado pelo nível de conhecimento e, embora os jovens se destaquem pelo domínio das novas tecnologias, eles contam comigo pelo entendimento que possuo da história da empresa, de suas relações comerciais e visão de negócio que é preciso ter", descreve. 

Alves focou a sua carreira em tecnologia e conta que 25, 30 anos atrás, um computador não era uma ferramenta de trabalho pessoal como nos dias de hoje. "Os centros de processamento de dados não eram integrados como hoje e para se ter uma ideia, escrevíamos os programas no papel para depois desenvolver no computador. Ou seja, muitos avanços chegaram e a tecnologia foi ampliada para além da empresa graças às tantas  mudanças que vivemos nesse período", pensa. 

Roberto Nishimura: "O pessoal mais rodado, até mesmo pela experiência, consegue ter uma visão do todo para trazer as soluções"
Roberto Nishimura: "O pessoal mais rodado, até mesmo pela experiência, consegue ter uma visão do todo para trazer as soluções" |  Foto: Divulgação
 

O vice-presidente da Abratic- Associação Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação, Roberto Nishimura, 54 anos, entende que a valorização dos mais velhos se dá em razão do conhecimento holístico alcançado. "O pessoal mais rodado, até mesmo pela experiência, consegue ter uma visão do todo para trazer as soluções". Com 27 anos de atuação e recém-aposentado, Nishimura explica que uma pessoa preparada e madura sabe pensar em toda a cadeia produtiva de uma empresa para elaborar um sistema - e não em apenas em uma tarefa a ser executada isoladamente. "Não significa que os jovens não saibam, mas algumas vivências não possuem a esse ponto". 

Perfil e qualidades de um profissional maduro

- Sólido conhecimento técnico e experiência na área;

- Reskiling (Aprender a Reaprender) – estar aberto a aprender constantemente em um universo que muda muito rápido e o tempo todo; - Habilidade em lidar com problemas complexos e com conflitos;

- Empatia: saber se colocar no lugar do outro, seja para entender a necessidade de formação de uma empresa que deseja contratar, seja para desenhar o melhor método para tornar o aprendizado significativo para o aluno, preparando-o para atender a demanda do mercado. As pessoas vêm primeiro do que as técnicas e processos;

- Visão ampla e de longo prazo. Hoje mais do que ensinar aspectos técnicos na área de TI, é preciso desenvolver nos alunos uma visão mais ampla de como lidar com o cliente e com as pessoas com quem se relaciona, por exemplo, seja proporcionado uma experiência diferenciada ou os ajudando efetivamente a resolver um problema;

- Dinamismo para lidar com várias questões simultaneamente de forma ágil;

- Colaboração: estar aberto para co-criar  e soluções, compartilhando e conectando conhecimentos com os diferentes atores que participam da construção do processo de ensino e aprendizagem, como por exemplo, alunos, empresas e outros formadores;

- Didática e paixão por ensinar;

- Saber atuar como facilitador e curador de conteúdos;

- Coragem para enfrentar o novo e o desconhecido: constantes na profissão de quem atua com ensino de tecnologia e inovação. 

Fonte: Ana Paula Murakawa,  sócia-diretora na On Demand Academy

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