A psicóloga Michelle Moreschi, 28, teve contato direto com pessoas da área da Saúde que cuidavam de pacientes com câncer e desenvolveram Burnout pela excessiva carga horária e pela alta demanda de trabalho e considera a síndrome um intenso sofrimento. ''A relação forte com os pacientes e familiares levavam esses profissionais da saúde ao esgotamento emocional'', define.
''Quando os pacientes estavam em estado terminal os profissionais da saúde acabavam se isolando, pelo intenso sofrimento, como uma forma de mecanismo de defesa para evitar mais sofrimento'', diz.
De acordo com ela, o pessoal da saúde quando estuda, é preparado para salvar vidas. ''Quando ocorre uma perda ele entra em contato com questões emocionais internas que abalam seu profissionalismo'', alerta. ''Pessoas acometidas com Burnout têm dificuldades em lidar com a frustração, principalmente os cuidadores, pela frente de trabalho que exercem'', define.
Michelle recomenda às pessoas ligadas à área da saúde que, para evitarem a doença, busquem apoio em terapia e análise para não chegarem ao esgotamento profissional. ''Seria interessante que as instituições da saúde desenvolvessem grupos de apoio à esses trabalhadores para evitar o afastamento deles e até mesmo o abandono da profissão'', declara. ''Eles são treinados para dar amparo e não para receber, isso é contraditório e precisa ser revisto, afinal os profissionais da saúde são seres humanos como os pacientes. Se o cuidador não tem esse respaldo, como ele poderá cuidar do outro?'', indaga. (K.A)

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