Na avaliação de Deise Gomes, gerente executiva da Thomas Case & Associados, a queda nas remunerações para cargos de maior nível hierárquico - segundo ela, na faixa de 20% a 30% - não deve ser revertida mesmo em caso de recuperação da economia. A consultora conta que, durante o período de maior crescimento do país, na segunda metade da década passada, houve um aumento de remuneração acima do que seria "saudável". O mercado acabou entrando em uma fase de ajuste quando o crescimento não se manteve. Hoje, ela diz, mesmo o conceito tradicional de empregabilidade está sendo substituído pela "trabalhabilidade", que é a capacidade de gerar renda independentemente do emprego formal. "Isso vem com cada vez mais força", avalia.

Na opinião da consultora, no entanto, empresas que de fato se aproveitam do grande contingente de profissionais em busca de colocação para oferecer salários muito baixos lançam mão de uma estratégia arriscada. Ela explica que, quando a economia se recuperar, as companhias não conseguirão reter bons profissionais - que tampouco oferecerão todo o seu potencial em termos de talento e ideias. "É uma estratégia muito pouco pensada", avalia.

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