A arquitetura brasileira vive um momento especial. Não apenas pelo aquecimento do mercado da construção civil, mas pela criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) em 2011, que acaba de divulgar o resultado de um importante diagnóstico da profissão. O Censo dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil foi realizado nos três últimos meses de 2012 junto a quase 100 mil profissionais, que se posicionaram sobre assuntos norteadores do dia a dia da atividade, como carga horária de trabalho, renda, nível de escolaridade e satisfação em relação à profissão, entre outros. Foram mais de 83 mil respostas vindas de todo o País.
De acordo com o presidente do CAU/Paraná, Jeferson Dantas Navolar, os dados obtidos na pesquisa ajudarão a planejar as ações do Conselho e trazer melhorias para estes milhares de profissionais. Ele destaca alguns resultados que surpreenderam os organizadores, como o fato de, no Estado, só 35% dos arquitetos terem cursado pós-graduação, 6% possuírem mestrado e 1,3% serem doutores. "Está nas mãos de poucos profissionais a responsabilidade de pesquisar e teorizar a arquitetura", constata.
Também chamou a atenção o baixo índice (23%) de arquitetos paranaenses organizados em torno de uma estrutura jurídica. "Esta informalidade pode gerar várias dificuldades no exercício da profissão. Para exercermos as várias atribuições que nos são garantidas por lei, temos que nos organizar melhor", alerta Navolar.
As atribuições a que se refere o presidente do CAU/PR dividem-se em 12 itens previstos na lei nº 12.378, de 2010, que regulamenta a profissão, e vão desde supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica até execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico. "Somos preparados para planejar, para fazer gestão de espaços, e no entanto presenciamos hoje este caos urbano. Isto mostra que há muito tempo o País não se planeja. Por isso vem em boa hora esta valorização do arquiteto", defende Jeferson Navolar.
Para o arquiteto londrinense André Sell, integrante do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL), esta recente valorização beneficia também outros profissionais que interagem no processo de uma obra, como aqueles que atuam nas áreas de estrutura, hidráulica, elétrica e demais projetos integrados. Ele defende que o campo de atuação hoje para o arquiteto é bem promissor. "Nossa formação é bem variada e nos permite atuar em diversas áreas, desde a mais conhecida, que é o projeto arquitetônico (casas, prédios e outras como a arquitetura de interiores) até outras como o campo corporativo, assessoria e docência", exemplifica. Sell observa que muitos ainda desconhecem as atribuições do arquiteto e até elitizam o serviço.
Entre os avanços da profissão, segundo o arquiteto, estão aqueles ligados aos recursos tecnológicos (como Autocad, Revit, SketchUp), que ajudam na integração e apresentação dos projetos. "Particularmente, apesar de usar essas ferramentas (tecnológicas), que são indispensáveis, ainda uso o desenho à mão livre na concepção das ideias, por achar que o 'traço é sentimento'", confessa André Sell. Ele também ressalta o esforço que vem sendo feito para sensibilizar os responsáveis por órgãos públicos no sentido de agilizar a análise e aprovação de projetos. Como resultado desta mobilização, acaba de ser sancionada a lei nº 11.849, batizada de "Agiliza Obras". A nova lei dará celeridade às obras de até 100 metros quadrados. "É um início, mas temos esperança de que como resultado isso possa se estender para as outras edificações", argumenta o arquiteto.
A explicação para o alto número de profissionais trabalhando como pessoa física, na opinião de André Sell, está no sistema tributário brasileiro, que penaliza excessivamente – em todas as áreas – o arquiteto. "Para se ter uma ideia, não podemos participar de um programa como o Simples Nacional." Sell lembra que o Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania do CAU/PR (Nesccau), através de parcerias com o Sebrae, Caixa Econômica Federal, Fomento Paraná e outras entidades trabalha para implantar um programa capaz de reverter esse quadro.

Imagem ilustrativa da imagem Tempo de mudanças na arquitetura
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