Um dos setores que mais crescem e empregam no País é o de telemarketing. Segundo estimativa do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark), o mercado disponibiliza cerca de 1,4 milhões de empregos diretos no Brasil - sendo que 500 mil deles em empresas terceirizadas - e vem mantendo um taxa de crescimento anual de empregados na faixa de 11%.
O perfil dos profissionais que atuam no mercado de call center tem se modificado nos últimos anos. De acordo com o Sintelmark, o número de profissionais do setor com 25 anos de idade ou mais, em São Paulo, chegou a quase metade do total (46,7%) em 2013. O índice é 5,8% superior em relação a 2010, quando esta parcela do pessoal totalizava 40,9%.
Além disso, o número de profissionais com ensino superior (completo ou incompleto) passou de 5,6%, registrado no ano passado, para 6,9%, em 2013. Segundo o sindicato, os dados sugerem que o setor está sendo visto pelo trabalhador não só como uma oportunidade de primeiro emprego, mas também de carreira.
Para o presidente da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), Jarbas Nogueira, o mercado cresce porque o aumento do consumo no País tem exigido das empresas a ampliação dos serviços de atendimento ao cliente e de televendas. "A atividade está cada vez mais profissionalizada e, com a especialização, o setor fica responsável pela gestão integral dos relacionamentos das empresas com seus clientes", avalia.
Uma das principais características deste mercado de trabalho é a alta rotatividade de funcionários, mas Nogueira garante que os índices de turnover no setor estão dentro da média habitual.
De acordo com Nogueira, a área ainda é formada em sua maioria por jovens em busca do primeiro emprego e a predominância no setor continua feminina (73,4%, segundo Sintelmark). Alguns profissionais, no entanto, têm procurado seguir carreira. É o caso da supervisora plenus da Ask! Companhia Nacional de Call Center, Ayla Ramos. Ela exerce a função há seis na empresa que pertence à Sercomtel.
Ayla diz que a oportunidade de entrar na empresa veio ao encontro de suas necessidades à época. Ela havia acabado de ter sua primeira filha e precisava de um emprego com menor carga horária e que ajudasse no orçamento da casa. Embora a profissão de atendente de call center exija disponibilidade dos funcionários devido à variação de escalas, a carga horária de seis horas diárias acabou parecendo sedutora. "Depois de um tempo, acabei me acostumando com a função, me apaixonei pelo trabalho e comecei a aproveitar os cursos que a própria empresa disponibiliza", revela.

‘Trampolim’
Embora acredite que muitos profissionais vejam a função como "trampolim" para algo melhor - devido à oportunidade de cursar e financiar um curso superior -, Ayla defende que é possível fazer carreira no setor e ganhar razoavelmente bem. Ela pondera que há certos desafios que exigem características específicas. "O atendente tem que ter paciência, estar pronto para lidar com a pressão porque geralmente ligam para fazer reclamações. É preciso, principalmente, saber ouvir para encontrar a melhor solução para o problema do cliente".
A funcionária acredita que, assim como na maioria das outras profissões, o atendente de telemarketing deve sempre buscar melhorar sua capacitação.
O salário inicial, acrescido de benefícios, como auxílio-saúde, vale-alimentação e outros, varia entre R$ 1,1 mil e R$ 1,2 mil. "Os valores praticados pela Ask! são comuns a todo o mercado", revela Willis José Rodrigues, diretor-presidente da empresa.
Para ele, contar com funcionários com muito tempo de "casa" é interessante, uma vez que esses colaboradores já conhecem a política da organização, mas pondera que isso não é suficiente. "O profissional também precisa mostrar vontade de crescer e aproveitar os cursos que as empresas disponibilizam. A maioria das empresas do setor tem se preocupado com essa capacitação e se o funcionário mostra interesse tem grandes chances de fazer carreira no setor", frisa.

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