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Londrina

MERCADO IMOBILIÁRIO 5m de leitura Atualizado em 28/03/2021, 19:54

Tecnologia fortalece a profissão de corretor de imóveis na pandemia

Aspirantes e bem sucedidos na área usam tecnologia a favor das negociações em tempos que exigem protocolos de segurança

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2021

Walkiria Vieira - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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De acordo com o Creci – Conselho Regional de Corretores de Imóveis, a pandemia impôs mudanças e exigiu novas habilidades de todos os profissionais. No setor imobiliário, um dos segmentos com mais demandas de negócios,  os corretores de imóveis vêm tendo de se adaptar enquanto atuam. Para dar suporte aos profissionais imobiliários nesse momento de mudanças, o Sistema Cofeci-Creci, o Sebrae e a plataforma Homer desenvolveram um intenso programa de transformação e inovação profissional intitulado Saber Imobiliário. 

Já o especialista do mercado imobiliário, Rafael Scodelario, aponta que os profissionais do setor devem adotar medidas que garantam não apenas a sobrevivência em tempos de crise, mas dar a volta por cima: “Nesse momento de quarentena, as negociações por compra e venda de imóveis ficarão escassas, por conta das visitas nos imóveis que serão praticamente impossíveis dadas as restrições da quarentena e o isolamento social recomendados para conter o covid-19. Nesse caso, o melhor a ser feito é trazer os clientes mais perto de você de outras maneiras que vão além do presencial. É preciso adotar novas estratégias, redobrar a atenção ao possível comprador e oferecer apoio, positividade e esclarecimento de dúvidas, demonstrando empatia.”

Cada vez mais, o mercado imobiliário recorre à tecnologia, contratos podem ser assinados à distância e avaliação de imóveis podem ser feitas por drones
Cada vez mais, o mercado imobiliário recorre à tecnologia, contratos podem ser assinados à distância e avaliação de imóveis podem ser feitas por drones |  Foto: iStock
 

Novos corretores valorizam os veteranos

Foi em Londrina, terra fértil e reconhecida mundialmente como a Capital do Café na década de 60 - e que atraía muitos corretores de café, que a iniciante na corretagem de imóveis, Mariela Mendoza Bento, 29, voltou seu olhar para a área imobiliária. Formada recententemente e à espera de seu Creci, Mariela enxerga o mercado como promissor. Natural da Cidade do Leste, no Paraguai, a jovem também viveu no Líbano e a gestão de pessoas  está em sua essência. Pujante, sofisticada e moderna, a correta reconhece também que os clientes de Londrina e região são conservadores. 

O crescimento vertical e o valor conquistado por cada região do município de 86 anos  não passam despercebidos pela jovem- que também vislumbra horizontes almejados pelos clientes. "Com as tecnologia, posso ter liberdade geográfica e financeira. Viver no Brasil e atuar na Europa, ou vice-versa, são exemplos, pois não há barreiras", expõe. Das habilidades que julga fundamentais na profissão, Mairela destaca: saber ouvir, ser bem relacionado, ter conhecimento geral e cultural, saber de planejar, ser ético, paciente, atrevido e desbravador - tudo com equilíbrio e sabedoria", destaca. 

A agilidade da tecnologia deve respeitar protocolos de segurançaAlinhada com as inovações, Mariela também entende que as plataformas digitais são de grande apoio. "Precisamos encantar, valorizar aquele sonho, fazer o cliente se sentir acolhido no espaço que deseja, seja o primeiro imóvel da família ou um investidor", avalia. "E também mostrar todos os ângulos do imóvel, sem esconder possíveis detalhes que não sejam de seu interesse".

A corretora passou por estágio em duas imobiliárias e compreende que o negócio tem que ser bom para as das partes - para quem compra e para quem vende. "Atuamos com dados do cliente e devemos transmitir confiança e pensar não somente em uma venda, mas em construir uma história de confiança com cada cliente e acaba criando um vínculo natural de relacionamento. Em razão da pandemia causada pelo Covid-19, Mariela destaca que as visitas presenciais foram limitadas por uma questão de segurança. "Assim, devemos transmitir mais segurança, pois até os contratos são fechados sem que se tenha, muitas vezes, qualquer contato pessoal em toda a negociação". Junte-se a isso o fato de que até a avaliação  dos imóveis feitas pelos bancos que financiam o crédito imobiliário têm sido feitas por drones.

"Como em toda área, há riscos na profissão e precisamos ser sensíveis para perceber e identificar o perfil do cliente, se realmente é possível comprador, seus anseios, seu padrão de vida e saber fazer indagações assertivas, mas sem ser invasivo", observa Mariela. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) passou a valer em agosto de 2020 e a expectativa é que em 2021 fique ainda mais em evidência, principalmente no setor imobiliário, no qual um alto volume de dados.

OUSADIA, FERRAMENTA INTELIGENTE 

Raul Fulgêncio: "Sem ética, ninguém sobrevive e na profissão de corretor isso é ainda mais complexo, pois lidamos com o principal órgão do copro do consumidor, que é o bolso".
Raul Fulgêncio: "Sem ética, ninguém sobrevive e na profissão de corretor isso é ainda mais complexo, pois lidamos com o principal órgão do copro do consumidor, que é o bolso". |  Foto: Agência Mango/ Divulgação
 

A obra "O Triunfo da Ousadia" (2018), de  Domingos Pellegrini, narra a história de vida e principalmente a ascensão do empreendedor do ramo Imobiliário, Raul Fulgêncio, 67 anos. Nas 220 páginas, é possível entender como o ímpeto pode levar ao pódio, independentemente da área almejada.  De família humilde e natural de Assaí (norte do PR),  não foi nos bancos escolares que ele buscou todo o seu conhecimento.  Estudou formalmente até o primeiro série do antigo Ginásio, hoje quinto ano do Ensino Fundamental. "Nunca gostei de estudar, mas sempre amei aprender." Apesar das dificuldades seus pais  sempre mantiveram pequenos negócios para o sustento da família, além da casa cheia de amigos. "Foi assim que aprendi a ter bom relacionamento com as pessoas de vários perfis. Isso me deu a base para criar uma imobiliária que compra, vende, aluga, mas, principalmente, empreende, o que não acontece sem uma boa relação com as pessoas", conta o imobiliarista.

Os jornais e revistas à época eram suas fontes de conhecimento. Começou como angariador e batia em portas de comércios e residências em busca de imoveis para os corretores. Observador e interessado,  aos 17 anos, Fulgêncio foi tentar a sorte em São Paulo. Antes dos 30, já havia aberto seu escritório para negociar imóveis. "Dos 20 aos 30 anos de idade, não há nada a se perder na vida. É preciso ter coragem de tentar e ousar, claro, com responsabilidade." O cidadão, a pessoa e o empresário estão no livro "O Triunfo da Ousadia".  Com experiência de 49 anos no mercado, hoje já está na quarta geração de clientes. Sobre ética, considera fundamental em toda atividade. "Sem ética, ninguém sobrevive e na profissão de corretor isso é ainda mais complexo, pois lidamos com o principal órgão do corpo do consumidor, que é o bolso".

COMO SE TORNAR UM BOM FECHADOR DE NEGÓCIOS

De acordo com o Corretor de Imóveis e Consultor de Empresas do Ramo Imobiliário Sylvio de Campos Lindenberg Filho, hoje, a disputa pelo mercado impõe  qualificações  diferentes das requeridas em tempos passados. Autor do "Guia Prático do Corretor de Imóveis: Fundamentos e Técnicas"  - Editora Atlas, 2006 – 2ª tiragem, Sylvio conclui que para as pessoas se tornarem corretores de imóveis “fechadores de negócios”, competentes e habilitados, precisam se qualificar mais. Esta mudança de atitude impõe o dever de terem que fazer a “lição de casa” (o que já deveria ser praxe) – estudarem os imóveis que pretendem vender. Este pormenor é fundamental e deve ser sistematizado por todos aqueles que comercializam, tanto imóveis usados, como imóveis novos.

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