Sucesso de empresas está ligado à retenção de talentos
Oportunidades internas, programas de treinamentos e benefícios estão entre atrativos para manter colaboradores em seus quadros
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de janeiro de 2025
Oportunidades internas, programas de treinamentos e benefícios estão entre atrativos para manter colaboradores em seus quadros
Walkiria Vieira 

Gerenciar pessoas requer habilidades. O departamento de Recursos Humanos de uma empresa possui papel de profunda relevância na administração de seus colaboradores - e atuar de forma planejada e estratégica está entre as expectativas do reconhecido RH.
Entre as ações assertivas para reter talentos em uma organização estão o reconhecimento pelo trabalho feito com esmero, o estímulo à inovação e à aprendizagem por meio de eventos e premiações e a oferta de benefícios pensados na qualidade de vida do trabalhador.
Responsável pelo setor de RH da Construtora Plaenge, Luciana Siqueira explica que os profissionais da casa recebem oportunidades de crescimento desde o estágio e também para atingirem as mais almejadas posições na área da engenharia. "No quadro de líderes, 90% foram nossos estagiários", pontua.
O gerente da área de processos Rodolfo Porto Moraes, 36 anos, é uma referência de sucesso nesse processo de desenvolvimento profissional na engenharia civil. Há 15 anos na Plaenge, seu ingresso foi como estagiário e reconhece o quanto a construtora foi decisiva em sua escalada. "Tanto na minha carreira como em minha vida pessoal".
Responsável por desenvolver metodologias de gestão e metodologias de produção tanto para as obras como para áreas administrativas da empresa, Moraes realiza o desenvolvimento e multiplicação de processos que deram certo e por isso são levados até para outras cidades onde a construtora está presente. "Hoje a equipe tem 12 pessoas e começou comigo", alegra-se.
Ciente também de que seu interesse foi deteminante, Moraes incentiva os que vislumbram um início de carreira promissora. "Eu fazia Especialização e trouxe os meus trabalhos para dentro da empresa, que os recebeu de portas abertas. Assim, consegui aplicar o que estava estudando e desde então me senti valorizado", recorda.

TECNOLOGIA NA OBRA
O emprego da tecnologia e melhores condições de trabalho é uma realidade nos canteiros de obra da construtora. Essas condições permitem que todas as atividades sejam executadas por homens ou mulheres. Com 12 anos de experiência na Plaenge, Camila Luzia dos Reis de Oliveira Santos, 32 anos, atua na área de logística e sua trajetória soma atuação em diferentes frentes de trabalho. "Eu entrei como servente, passei para ferramenteira, depois fui auxiliar de logística e agora logística", destaca.
A oportunidade de fazer cursos e crescer dentro da própria empresa é um atrativo para o desenvolvimento profissional e Santos compreende que essas vantagens tem contribuído para sua manutenção junto à empresa.
Por meio de um processo de avaliação, definição de tarefas e competências, renovam-se as oportunidades periodicamente entre os colaboradores. "Sempre estive disposta a aprender e aberta às oportunidades. São atividades desafiadores e dentro da própria obra, surgem as oportunidades. "Os convites surgem dos encarregados e dos próprios engenheiros ao observaem nossa dedicação, nossa capacidade e disposição", explica Santos.
PROCURAM-SE
A dificuldades para manter o quadro de colaboradores tem contribuído para que empresas busquem trabalhadores em outras cidades. Foi dessa maneira que o morador de Assaí, Carlos Bispo de Miranda, 61 anos, conquistou uma vaga em Ibiporã.
Embora Assaí seja uma cidade boa para viver, Miranda relata que se viu diante de um impasse quando perdeu o emprego, meses atrás. Em Assaí, trabalhou a maior parte do tempo na zona rural; e outros anos em empresa de fiação. “Hoje, não se tem muitas vagas na cidade”, comenta. A solução, foi buscar oportunidades em empresas da região.
Com o currículo em mãos, Carlos deixou uma cópia na Ibiporã Implementos Rodoviários. Para sua surpresa, recebeu uma ligação do RH antes mesmo de chegar em casa, convocando-o para uma entrevista. Atualmente, ele ocupa uma vaga como carpinteiro na indústria. “Foi uma oportunidade muito boa”, comemora. Uma oportunidade para Carlos e um recurso para a empresa, que, para manter o quadro de 600 funcionários necessários para garantir o funcionamento eficiente de suas atividades, conta com mão de obra de várias cidades da região, como Londrina, Cambé, Jataizinho, além de Ibiporã e Assaí. Para chegar todos os dias ao trabalho, Carlos percorre cerca de 28 quilômetros em ônibus fretado pela empresa, sem qualquer custo.

RETENÇÃO DE TALENTOS
O presidente do Sindimetal – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Norte do Paraná, Ricardo Cândido, destaca que o setor de indústrias eletrometalmecânicas enfrenta desafios significativos no que diz respeito à empregabilidade e também à retenção de talentos. Para driblar as dificuldades, adotam diversas iniciativas, entre elas, a busca por profissionais em outras regiões; contratação de estagiários ou similares para desenvolver futuros profissionais; contratacão de mão de obra estrangeira disponível; terceirização para empresas especializadas; automação; e desenvolvimento de novos profissionais dentro da própria empresa capacitando-os para assumir novos desafios.
O gestor de produção da Ibiporã Implementos Rodoviários, Mário Leoni, é um exemplo de profissional que teve toda sua carreira desenvolvida dentro da empresa. Antes mesmo de se formar no curso de mecânica industrial na UTFPR, campus de Cornélio Procópio, já começou a trabalhar no local, como auxiliar de Planejamento e Controle de Produção (PCP), isso há 16 anos. “Cerca de três anos depois passei a ser analista de PCP, em seguida coordenador da área, depois supervisor até que surgiu a oportunidade de ser gestor”, relembra.
Entre os quesitos que considera atrativos para permanecer na empresa estão os vários benefícios oferecidos, passando pelo plano de bonificação; e o ambiente de trabalho agradável e seguro.
“A empresa realiza confraternização ao longo do ano, favorecendo maior aproximação entre os colaboradores. E a preocupação com a segurança do trabalhador é constante, em todos os setores, inclusive, agora, a empresa está no processo de certificação ISO 45001”, cita ele.
CULTURA ORGANIZACIONAL
O presidente do Sindimetal reforça a fala de Leoni, ao destacar a importância da cultura organizacional. “Não existe uma fórmula mágica para atrair essa mão de obra. As estratégias devem ser ajustadas de acordo com as características, o porte e o estágio de desenvolvimento de cada organização e o que cada uma pode oferecer de melhor, que vai desde remuneração a benefícios variados, como constante capacitação, plano de carreira e cultura de inovação,” cita.
Ricardo Cândido lembra que a escassez de mão de obra especializada e a alta rotatividade são questões que impactam diretamente a produtividade e a competitividade das empresas.
Vivian Nagami, gerente de RH da Ibiporã Implementos Rodoviários, concorda que mão de obra para a indústria é escassa e, por isso, é importante oferecer condições atrativas para os colaboradores.
“Nós trabalhamos em prol de um ambiente seguro de trabalho e temos bons benefícios”, informa, elencando, entre eles: vale alimentação, vale transporte, plano de saúde, refeitório na empresa, café da manhã, convênio com faculdades e cursos, área de lazer, kit bebê, kit casamento, plano odontológico, 13° de vale alimentação, oportunidades internas, cursos e treinamentos, equipe com médico, fonoaudióloga e enfermeira, Total Pass (benefício que oferece acesso a academias) e confraternizações, muitas delas incluindo os familiares.
“Procuramos reter talentos oferecendo muitas oportunidades internas, programas de treinamentos, todos os benefícios oferecidos e principalmente uma cultura da empresa forte e voltada para pessoas, qualidade de vida e bem-estar do colaborador”, atesta.


