'Somos roteiristas da nossa realidade'
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domingo, 12 de junho de 2016
Micaela Orikasa Reportagem Local 
A atratividade da filósofa, escritora e pesquisadora Dulce Magalhães é um reflexo dos preceitos que ela traz consigo há 25 anos. Tempo, que se dedica aos estudos de mudanças de paradigmas e que a tornou uma das palestrantes mais requisitadas no País.
De fala tranquila e carisma entre um pensamento e outro, essa paranaense nascida em Cornélio Procópio e criada em Curitiba, esteve diante de uma plateia interessada na semana passada, em Londrina. Na palestra sob o tema de um de seus livros "O Foco Define a Sorte", ela falou sobre como ser protagonista da própria realidade, no âmbito pessoal e profissional. Para isso, defende que é preciso aprender a ver o mundo a partir de uma nova visão de realidade, pois tudo é fruto da percepção.
"Nós aprendemos tudo dentro de um modelo de cultura que nos ensina. Sendo assim, tudo o que pensamos é a nossa versão da realidade, portanto ela é ficcional", reflete.
Neste raciocínio, reforça que a realidade se modifica quando mudamos de percepção. "Se tudo é ficção, então não seria mais interessante viver a ficção que a gente deseja? Nós somos roteiristas de nossa realidade", diz.
Para captar essa mensagem, basta lembrar que culturalmente, acreditamos mais que a percepção verdadeira, isto é, a realidade é sempre algo ruim. "Tanto é que em algumas situações é comum ouvirmos que 'de tão bom, nem parece ser verdade'", exemplifica.
Mas como colocar isso em prática? Dulce ressalta que o principal exercício é treinar o cérebro a partir de dúvidas. "Nenhuma afirmação ajuda o cérebro a criar novas realidades, pois ela acaba sendo um limite. Ao invés de afirmar 'isso não é possível', ou 'a vida é assim', devemos formular perguntas, por exemplo, 'como ser melhor?', como sair disso?'", ensina.
E as respostas, de acordo com a palestrante, também estão dentro de nós. Além disso, ela acrescenta que a forma com que lidamos com a realidade também atrai tipos de pessoas, como aquelas que só reclamam, têm baixa autoestima e são negativas.
O corretor da Prevent Seguros em Londrina Claudemir Rossetto foi um dos participantes do evento, atraído pelo extenso currículo da palestrante. Para ele, a mudança de paradigmas deve ser usada como princípio para a vida em todas as esferas.
"Vivemos uma mudança de comportamento da sociedade e os gestores precisam ter mais empatia com as pessoas com as quais convivem. Sem isso, fica muito difícil manter uma equipe em busca de objetivos comuns", pontua.
Em relação à sorte, a filósofa desmistifica a ideia popular de que se trata apenas de algo bom. "Vai depender do foco. O oposto da sorte em português é azar, que vem do latim e quer dizer acaso. Então, o acaso e a sorte podem ser bons ou não. Se eu quero sorte boa, preciso ter foco e não deixar ao acaso, pois ele (foco) vai definir a qualidade da minha sorte", completa.
Dulce é Ph.D. em Filosofia direcionada ao Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA) e uma das cem lideranças da Paz no Mundo. No extenso currículo, traz o título de Embaixadora da Paz no Senado Argentino e membro do comitê de 80 lideranças da Paz, coordenado pelo ex-presidente americano Bill Clinton, para elaboração de um Programa Global de Cultura de Paz.


