Sociólogo aponta riscos de busca por estabilidade
Segurança e conforto parecem ser sinônimos de carreira pública na cabeça da maioria dos brasileiros, mas de onde vem esse raciocínio? E quais os riscos de se pensar assim?
Para o professor de ética e sociologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Marco Antonio Rossi, a má qualidade do ensino que o jovem recebe na escolas, seguido de um mercado de trabalho instável e de baixos salários, além da ideia de que o serviço público exige uma menor dedicação de seus funcionários são fatores que induzem um número cada vez maior de pessoas para esta carreira. ''Todo este contexto tem atraído os jovens'', diz Rossi, ressaltando que o exercício de uma função pública não é tão fácil quanto possa parecer.
Há ainda, segundo Rossi, um problema sociocultural. Acredita-se que mais importante do que estudar é fazer o que se gosta e trabalhar em algo que possa garantir bons ganhos financeiros. ''Estamos reproduzindo uma cultura extremamente danosa. Ao invés dos jovens questionarem, seguem a ordem e vão empurrando com a barriga'', diz.
O professor argumenta que esse tipo de raciocínio pode gerar dois riscos para a sociedade como um todo. O primeiro é inchar a máquina pública com pessoas não capacitadas para a função e, depois, avolumar o número de profissionais frustados. Rossi ponderá que isso não é uma regra e que existem pessoas qualificadas e felizes no funcionalismo. ''Outro problema é pedagógico porque se cria uma indústria de cursinhos prometendo o céu na terra e isso também é extremamente perigoso'', salienta.
Para mudar esse raciocínio, o professor defende que não há fórmula mágica, mas é nítido que algo precisa ser feito. Ele acredita que um dos possíveis métodos para se pensar em mudança seria a implantação de novos métodos de seleção, onde o profissional seria eleito ao cargo a partir de suas competências e histórico de vida. (V.F.)





