A Lei 8.213 obriga, desde 1991, as empresas a incluírem em seu quadro de funcionários os portadores de deficiência. Mas a realidade brasileira está bem longe do ideal. De acordo com o último Censo, o Brasil conta com 24 milhões de pessoas com deficiência. Desse total, apenas 288.593, 1,2%, estavam empregadas no país até 31 de dezembro de 2008, segundo a Relação Anual de Relações Sociais (Rais), que indicam o número de trabalhadores com carteira assinada. No Paraná, no mesmo período havia 19.286 pessoas em atividade (veja info).

No período de janeiro a junho de 2010, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), demonstra que 1.853 empregos para esse público foram criados, o que é muito pouco comparado com a meta nacional de 20 mil vagas.

Essa realidade chega até Londrina, onde por ano teriam de ser contratados 2.400 portadores de deficiência. ''Aqui, 149 empresas são obrigadas a contratar os portadores de deficiências, mas nem todas conseguem preencher a cota determinada. Hoje apenas 661 vagas estão preenchidas'', informa Rogério Perez Garcia Junior, chefe da fiscalização do Ministério do Trabalho.

Inserção Social

A maior dificuldade encontrada pelas empresas para a contratação desse público está relacionada a qualificação profissional e ao preconceito.''O preconceito ainda existe e muitas vezes vem da família, que colabora para que o deficiente se esconda e deixe de buscar aprimoramento profissional. Muitos deficientes começam e desistem por não ter o incentivo da família, que os super protegem e tratam-os como se fossem alguém diferente'', explica Ana Lígia Cécere, analista de Recursos Humanos da Atlas Schindler, empresa que mantém em seu quadro de funcionários 25 portadores de deficiências.

A dificuldade, de acordo com Jane Portella, supervisora de Recursos Humanos da Atlas Schindler, também se instala pela falta de oportunidade oferecida à esses jovens. ''Percebemos a dificuldade de inserção na escola. São poucas as faculdades que têm um intérprete contratado, por exemplo'', analisa.

Parcerias

Para suprir a carência desses profissionais, a empresa fez parcerias com ONGs, igrejas, instituições especializadas e até um curso de noções básicas de metalurgia foi oferecido. O curso incluiu não só funcionários e possíveis colaboradores, mas gente de Londrina e região. ''Não é tão simples encontrar profissionais qualificados'', explica Jane.

Segundo o chefe da fiscalização do Ministério do Trabalho, esse é o caminho a ser seguido. ''A capacitação dessa mão de obra é de responsabilidade das empresas. A lei é clara. O empregador que não cumprir a cota contratando pessoas portadoras de deficiências ou reabilitadas pelo INSS - que sofreram acidente e ficaram com incapacidade laborativa-, será multada. A empresa terá de oferecer oportunidades para que se tornem pessoas aptas ao trabalho'', lembra.

Cotas
O gerente de Recursos Humanos da Pado, Sebastião Ovídio Gonçalves, concorda que a dificuldade em encontrar mão de obra está relacionada com a qualificação profissional. ''Muitos deficientes recebem do governo uma bolsa auxílio, com isso preferem ficar em casa à se qualificar'', argumenta.

Apesar dos anúncios permanentes que a empresa mantém, as dificuldades na contratação são grandes '' Estamos abaixo da cota porque não conseguimos contratar. Inclusive há vagas abertas para cargos operacionais de montagem de fechaduras'', explica Sebastião.

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