Este promete ser o ano do emprego. Retomada da economia, aumento do consumo e indicadores favoráveis têm indicado uma supersafra de novos postos em todo o País. No entanto, oferta de vagas não significa efetivamente gente trabalhando. Do total de empregos abertos no Paraná, pelo menos, metade das vagas não são ocupadas, segundo dados da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social. Os motivos para tantas vagas ociosas são os mais diversos: falta de qualificação profissional, necessidade de trabalho aos finais de semana e baixo salário.
Somente em janeiro foram abertas 38.680 vagas no Estado, das quais 12.260 foram preenchidas, o que significa um aproveitamento de apenas 31%. ''Esse resultado é melhor do que o registrado em janeiro do ano passado, quando estávamos no auge da crise. Ainda esperamos uma recuperação (do índice de aproveitamento das vagas) de fevereiro'', afirma João Edison de Miranda, superintendente técnico de intermediação de mão de obra da Secretaria de Estado do Trabalho. Estatística do órgão aponta que o ano com maior aproveitamento das vagas foi 2004, quando 61,9% dos postos foram ocupados (veja quadro). ''Mas esse índice vem diminuindo ano a ano'', salienta.
A maior dificuldade para conseguir uma colocação no mercado é enfrentada por profissionais localizados nos ''dois extremos'' da qualificação: trabalhadores analfabetos ou com primeiro grau incompleto e com superior completo ou incompleto. ''A maioria das vagas oferecidas exige segundo grau incompleto ou completo'', diz Miranda. No entanto, é justamente nesse nicho que a maior parte fica em aberto. Um dos setores que mais tem tido dificuldades na contratação de profissionais é a construção civil. ''Não tem pedreiros no Paraná. Os jovens não querem fazer esse tipo de serviço porque o consideram pesado e porque o trabalho atrapalha os estudos'', comenta.
Além disso, ele prossegue, que atualmente praticamente todos os jovens querem fazer um curso de graduação. ''Antigamente a profissão (de pedreiro) passava de pai para filho. Hoje não, ninguém mais quer ser pedreiro; falta interesse'', observa. Outros segmentos que encontram dificuldades na contratação são serviços, alimentação e indústria. Nos dois primeiros casos os entraves estão no tipo de trabalho oferecido, geralmente pesados, com baixa remuneração e que exigem carga horária aos finais de semana. No último, o problema é a falta de qualificação dos trabalhadores.
''O Paraná é um dos Estados com mais faculdades. O que tem ocorrido é a formação de um grande contingente de graduados, que depois não encontra vaga no mercado de trabalho. Por outro lado, faltam profissionais com qualificação média'', observa o superintendente técnico. Tanto que, segundo ele, as indústrias têm investido na qualificação da mão de obra, com a realização de cursos para formação. Há dificuldade em encontrar pessoas dispostas a trabalhar em supermercados e shoppings center. ''Nesses dois casos o emprego exige cumprimento de carga horária aos finais de semana, mas a remuneração é baixa, o que afasta os trabalhadores'', observa.
Na sua avaliação, inclusive, o momento pede uma outra postura dos empregadores. ''O setor (supermercados) exige trabalho aos finais de semana, mas não remuneram adequadamente. Acredito que em breve terá que haver uma revisão dos salários porque, se não, não haverá mais trabalhadores interessados'', salienta.
Escassa
As cidades com a maior quantidade de vagas em aberto são: Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. ''Quanto maior o município, menor a taxa de aproveitamento das vagas. Em municípios menores, onde a oferta de empregos é mais escassa as pessoas se veem obrigadas a aceitar o que é oferecido e, por isso, o aproveitamento (das vagas) é quase 100%'', observa. Em cidades maiores são ofertados mais postos, o que garante ao trabalhador o direito de escolher entre diversas opções.

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