Quando se fala na busca e principalmente na manutenção de um talento em uma empresa é importante levar em consideração os dois lados dessa história. O primeiro envolve o profissional que tem talento e o que ele precisa para se manter em alta. O outro envolve a própria corporação e o que ela necessita para identificar e depois trabalhar esse colaborador que deve ser visto como uma pedra preciosa a ser lapidada.
Um dos mais respeitados headhunters (caçador de talentos)do mundo, Alfredo José Assumpção, visitou a Universidade do Norte do Paraná (Unopar) recentemente, onde ministrou palestra que teve como um de seus principais enfoques a escassez de talentos.
Segundo ele, inicialmente é fundamental entender que o profissional de talento é aquele que se destaca e faz o melhor serviço dentro da função que ocupe. "Não está diretamente atrelado a uma formação acadêmica ou algo assim. Se eu preciso de alguém que limpe o chão e escolho quem melhor faça isso, esse é um talento, porque se propôs a fazer algo e fez bem feito", exemplifica.
"Ser um talento significa ser melhor que a concorrência", resume Assumpção, mas como conseguir isto? Ele acrescenta que o profissional deve ter atitude e sempre buscar o aprimoramento. "O funcionário deve entender que ele deve se fazer necessário, atender a demanda da empresa. Se ele se tornar um talento obsoleto, mais cedo ou mais tarde estará fora (da empresa)", afirma.
Para Assumpção, a falta de profissionais talentosos está diretamente ligada a lista de tributos que as empresas têm que recolher para manter seu capital humano. O headhunter aponta que o primeiro passo para uma mudança deve partir do governo. "Com a carga tributária aplicada aqui e a necessidade de se colocar no mercado produtos de qualidade, que possam competir com mercadorias estrangeiras, não sobra muito para se investir na formação de talentos", reclama.
Embora a tributação mine as corporações, Assumpção, que também é autor de livros sobre o tema, aponta as saídas para que os empregadores consigam se manter mesmo diante desse cenário nacional adverso. A caça aos talentos, visando tornar a empresa mais competitiva, deve começar de fato por um eficiente processo de recrutamento. O líder deve escolher o candidato à vaga de emprego que tenha valores, anseios e planos mais alinhados com a política da empresa. Só com isso bem 'afinado', o gestor vai extrair o melhor de seu funcionário, e começar a formar bons profissionais, que vão suceder as lideranças.
Outro ponto a ser levado em consideração é o diálogo. "O líder que vai preparar esse talento não pode ter medo ou vergonha de chamar a atenção quando for necessário, mesmo que isso ocorra diante de outros funcionários. Agora esse mesmo líder deve estar pronto a ouvir", diz.
O líder que conseguir identificar as características dos profissionais sob o seu comando terá melhor produtividade e fará com que cada profissional se sinta útil, ou seja, ambas as partes saem ganhando no processo.
Para o headhunter, a média de desemprego no mundo, que gira de 6,5% a 7%, indica a existência de talentos obsoletos fora do mercado de trabalho. Diante desta realidade, Assumpção reforça a importância do trabalhador se mostrar pronto para atender os anseios do mercado. "Quer ser um talento, seja útil e torne-se necessário ao empregador. A escassez de talentos é algo global também porque, para competir, as empresas não buscam apenas talento, mas o melhor talento", finaliza.

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