'Ser seu próprio patrão' pode não ser o que parece
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 
Quando decidiu sair da indústria para montar uma escola infantil, Mauro Ferraz já imaginava que ter o seu próprio negócio significaria dedicação integral. Formado em matemática, ele já trabalhava em funções executivas em grandes empresas e sabia que a rotina de um empreendedor não teria hora para começar nem terminar, como acontece em funções operacionais. "Quanto se está num ramo em que o projeto é seu, você se ocupa quase que 24 horas, sete dias por semana", diz.
Ele conta que a vontade de empreender veio do sonho de se reaproximar de sua formação acadêmica. O negócio foi para a frente, mas Ferraz acabou recebendo um convite para voltar à indústria. A escola ficou sob o comando da esposa, mas acabou sendo vendida em pouco tempo. "Começamos a perceber que, estando no seu próprio negócio ou no de terceiros, o que importa é a sua cabeça - como você se programa, como projeta desafios, como procura resolver problemas", diz. "Percebi que as tarefas não são tão diferentes."
Hoje, Ferraz é gerente de suprimentos da Altenburg, em Blumenau (SC). Ele diz que voltaria a empreender, mas alerta que muita gente se engana ao procurar abrir um negócio próprio pensando em ter independência, por exemplo. "Não é bem assim", explica. "Os clientes se tornam seus chefes", compara.
Para ele, um profissional com funções operacionais, com horário de entrada e saída, pode levar um choque ao empreender. "Ele verá que o trabalho passa a ocupar 24 horas", diz.
Na mesma linha, a coach e psicóloga Daniella Forster diz que muitos empreendem pelos motivos errados e acabam se frustrando diante das incertezas características de um negócio próprio, como não ter férias ou renda garantidas. "É muito comum o pessoal ter a expectativa de que a vida do empreendedor é uma vida mais fácil e mais flexível", diz. "Nisso, muita gente acaba em empreitadas malsucedidas". (R.C.)


