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Londrina

MERCADO DE TRABALHO 5m de leitura Atualizado em 22/02/2021, 08:06

Sem Carnaval, corrida por emprego começou faz tempo

Profissionais apontam perspectivas e desafios para quem necessita entrar no mercado de trabalho depois que o ano efetivamente começa

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Walkiria Vieira - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Num cenário de dificuldades trazidas pela pandemia da Covid-19 e ainda não superadas, a busca por melhores chances no mercado continua num ano atípico. A regra de começar a pensar mais seriamente nas coisas e estruturar o ano de trabalho depois do Carnaval esbarra na continuidade da crise e na falta de vagas. Mesmo assim é possível planejar o novo ciclo de olho em novas oportunidades e nas profissões em alta.

Se em algumas áreas as chances se reduziram, em outras os problemas acabaram gerando uma solução. O importante é se reinventar, compreendendo que o modelo clássico de sair da faculdade ou de um emprego e encontrar imediatamente uma colocação estável, com carteira assinada, é cada vez mais difícil ou não pode mais ser aplicado em todas as circunstâncias.

Em entrevista à Folha, Marcela Brito, Treinadora de Mentores Global Mentoring Group e  especialista em educação profissional e tecnológica, aborda as mudanças no mercado, as profissões mais procuradas no momento, assim como os modos de se preparar para empreender e começar de novo. 

 No momento, é possível afirmar que existem áreas em alta para a busca de empregos?

Com toda a reviravolta no mundo do trabalho causada especialmente pela pandemia da Covid-19, algumas áreas  necessitam de profissionais neste momento, como a Saúde. Outros setores como Tecnologia e Agronegócio também estão em ampla expansão e reinvenção. Profissões como analista de business intelligence e analista de data Science - em virtude da necessidade de análise de dados que subsidiam as grandes decisões operacionais e estratégicas das empresas. No caso do Agronegócio, profissionais de finanças, gestão de recursos humanos e tecnologia da informação.

 O emprego com carteira assinada ainda é uma expectativa ou seria melhor apostar no negócio próprio ou atuar de forma informal ou PJ?

Com a nova lei trabalhista, a flexibilidade para contratação se tornou uma realidade. Em termos práticos, muitas empresas realmente preferem contratar um profissional como pessoa jurídica por meio do sistema do MEI (microempreendedor individual). Portanto, aquele estilo de vida ainda desejado por muitos profissionais, a partir da contratação com carteira assinada, inúmeros benefícios e décimo terceiro salário está se tornando mais escasso. No entanto, para quem é novo no mercado de trabalho, não recomendo investir em um negócio próprio, a menos que tenha um plano bem estruturado e um investimento seguro para começar. 

O que uma pessoa sem emprego pode fazer para se recolocar?

Uma pessoa que está sem emprego tem um recurso disponível que quase nunca entende como usar a seu favor: o tempo.  O primeiro passo é pensar em quem você quer ser no mercado, quais valores tem como ser humano e identificar quais empresas apresentam uma identidade com a qual você sintoniza.  Não faça este percurso em busca de recolocação sozinho, qualifique sua rede de relacionamentos e busque alguém que possa ser um mentor para você: pode ser um antigo chefe ou um ex-colega de trabalho que você admire e que pode orientá-lo a passar por esta fase.

 Há empresas que demitem e ajudam o ex-colaborador nesse processo de recolocação? 

O chamado outplacement (recolocação) é uma prática que surgiu na década de 60 nos Estados Unidos como elemento crucial na gestão da marca corporativa da empresa. Uma empresa que pratica o chamado “desligamento humanizado” potencializa seu valor de mercado, auxilia o colaborador contribuindo para que a transição seja positiva.

 Do ponto de vista psicológico, o que pode ajudar o profissional, se for o caso, a aceitar atuar em uma outra área, sem carregar o peso de que está perdendo com isso e que terá uma bagagem preciosa desperdiçada?

Estamos na era das múltiplas inteligências e dificilmente um profissional não conseguirá aplicar os conhecimentos e expertise desenvolvidos em sua área de origem em uma nova área. No Brasil, as empresas já entenderam a importância de promover trabalho e projetos por meio de equipes multidisciplinares. Um exemplo interessante agora é o desafio que os bancos tradicionais têm enfrentado com a ascensão das fintechs (start-ups financeiras). Quando o profissional recebe a oportunidade de atuar em uma área diferente, ele deve tomar isso como uma vantagem competitiva. 

Todo mundo pode desenvolver um perfil empreendedor? 

Sim, até mesmo porque é possível empreender em qualquer área da vida, desde de sua rotina pessoal em casa até dentro da sua empresa. Estamos vivendo o chamado mundo BANI - acrônimo para brittle (frágil), anxious (ansioso), nonlinear (não-linear) e incomprehensible (incompreensível). Não temos mais aquele cenário previsível, no qual você fazia a faculdade, pegava seu diploma e em alguns meses estaria empregado com estabilidade. O mundo se tornou um ambiente muito líquido  e a melhor rede para fazer isso ainda é o LinkedIn. Mas atenção: não seja o tipo interesseiro que sai pedindo vaga de emprego e recomendação a todas as pessoas da sua rede. Todo bom relacionamento é pautado em trocas: entregue seu valor primeiro e, então, construa de maneira genuína um relacionamento saudável com as pessoas. Seja uma pessoa com a qual os outros têm vontade de conversar e que todos querem ter por perto. 

Várias startups surgiram para solucionar problemas sociais

A  coordenadora do curso Gestão Empreendedora de Serviços do Centro Universitário Internacional Uninter,  Grazielle Ueno Maccoppi  compartilha  que o Carnaval para o Brasil sempre representou um marco fundamental para o início do ano. "Quem nunca ouviu o dito popular: o ano começa somente depois do Carnaval”, indaga?  Entretanto, Maccoppi atenta que diante do cancelamento do maior evento popular do país, muitos setores econômicos, especialmente o de turismo e serviços foram prejudicados, mas essa discussão já estava em pauta desde a metade do ano passado e já era esperada por muitos pelos setores", explica. 

Por este motivo, Maccoppi expõe que as organizações e empreendedores foram buscando por alternativas para diminuir o impacto do cancelamento do evento e recuperar a receita. E traz um exemplo: "Várias startups que surgiram para solucionar problemas sociais e simplificar o acesso às informações – mobilidade, fome, problemas ambientais, educação financeira, plataformas online de empregos", cita. 

Os problemas  estruturais sociais estão expostos. Segundo a coordenadora,  todas as ações de inclusão, diversidade, equidade, colaboração e compartilhamento são fundamentais. "De acordo com o Fórum Econômico Mundial, os programas de parceria público privada que enalteçam e valorizem estas preocupações já estão sendo firmados em todo o mundo entre grandes corporações para geração de empregos mais inclusivos e esta onda deve seguir para todo o cenário empreendedor, inclusive o pequeno e micro empreendedor", afirma. 

Ela dá as seguintes orientações: 

- Preparar-se  para atuar neste contexto é fazer a diferença num cenário economicamente sensível;

- Fortalecer as preocupações com as desigualdades sociais latentes na sociedade e caminhar sobre estas problemáticas é conhecer o território para gerar bons resultados empreendedores e inovadores.

- As qualificações devem ser capazes de promover regeneração e recuperação dos cenários econômicos e sociais – esta é a chave para quem busca emprego;

-  O mercado pede visão inovadora e de solução de problemas de grande escala;

- Fortalecer as preocupações com as desigualdades sociais latentes na sociedade e caminhar sobre estas problemáticas é conhecer o território para gerar bons resultados empreendedores e inovadores;

- O mercado deseja profissionais com  soluções reais e que atingem grande parcela da sociedade. (W.V.)

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