Século 21: o profissional em constante atualização
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 

Encare a mudança. O mercado hoje é amplo, dinâmico e global e exige transformações estruturais nas empresas. O foco também mudou. Se antes os holofotes eram voltados para a produção, hoje eles se refletem nos clientes.
Não é à toa que o capital humano tem sido nos últimos tempos a "chave" para criação de valores e sobrevivência das organizações. Nesse "reinventar" do universo corporativo, os profissionais que estão alinhados com as exigências do século 21 estão mais perto de conquistar um lugar ao sol.
Como? "Estando em constante atualização", responde Adriana Martelo Valero, coordenadora do curso de administração da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), campus Londrina.
"As empresas veem com bons olhos e dão preferência aos profissionais que possuem pós-graduação, que estão buscando se especializar, pois esse aprofundamento de conteúdo dá ênfase no aspecto prático, em um curto período de tempo", destaca a docente, que também atua como profissional de recursos humanos.

Ou seja, para subir um degrau na empresa ou conquistar a tão desejada vaga, a palavra de ordem é qualificação. Para estruturar tal afirmação, ela cita uma pesquisa da Robert Half (uma das maiores empresas de recrutamento especializado em todo o mundo), realizada com executivos em 2018, cujo resultado mostrou que 66% dos profissionais recebem aumento salarial depois que finalizam uma pós e 48% recebem promoção efetiva.
É claro que a decisão sobre qual curso e modalidade seguir requer antes uma boa reflexão sobre a carreira. "Você já tem os conhecimentos específicos sobre a área em que deseja atuar? Se ainda não tem, esse é o foco da pós-graduação. Se já tiver, busque algo que complemente sua visão, como por exemplo, gestão de negócios, gestão de projetos, cursos que ampliem o seu conhecimento e atuação no mercado", afirma Tatiana Angelotto, especialista em carreiras do Núcleo de Carreiras do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em São Paulo.
Considerando as projeções para 2019 e 2020, Valero acrescenta que o mercado brasileiro está otimista em relação às áreas de negócios, como produção, marketing, planejamento e finanças; direito; tecnologias em geral; engenharias e saúde, especialmente voltada à terceira idade.
Foi pensando em ampliar o leque na área de administração de empresas, que Patrícia Ferreira de Souza, 30, optou por um MBA (Master of Business Administration) em finanças, auditoria e controladoria. Ela trabalhava em uma operadora de plano de saúde e percebeu que muitas oportunidades para crescer profissionalmente foram limitadas pela falta de especialização.
"Hoje em dia o que conta mesmo é o que você estudou após a graduação. Eu atuava na área de finanças e nos recrutamentos internos a primeira pergunta que faziam era a respeito de especialização", conta a estudante em fase final do curso. "Escolhi o MBA por abranger minha área em três modalidades e em um prazo curto. Sei que não posso ficar estagnada. Vou seguir investindo em um curso de inglês e, quem sabe, na área de liderança", completa.
MATURIDADE E SOFT SKILLS
Para a gerente do Núcleo de Carreiras do Insper, Carolina Fouad, uma falha comum entre os brasileiros é acreditar que só o conhecimento técnico é importante. "O mercado exige mais maturidade e soft skills. O profissional tem que estar apto em relacionamentos, interfaces, interações com o mercado externo e ter muito jogo de cintura para lidar com diferentes públicos e situações", pontua.
Nesse contexto, ela cita como indispensável para os profissionais a capacidade de aprender rapidamente novas informações e o funcionamento do mercado. "Além de resiliência para lidar com frustrações, pois não fazemos só o que gostamos no trabalho, disposição para trabalhar em equipe e pensamento crítico com orientação para resultados e comunicação", ressalta.
AUMENTO
Dados da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) mostram que entre 2013 e 2016, o SNPG (Sistema Nacional da Pós-Graduação) cresceu 25% no País, passando de 3.337 para 4.175 programas.
Neste período, houve um aumento significativo (77%) no número de cursos de mestrado profissional, seguido de doutorado (23%) e mestrado acadêmico (17%). As informações foram divulgadas pela coordenação de comunicação social da Capes.
O levantamento considerou programas com, pelo menos, um ano de funcionamento, e critérios como proposta de programa, corpo docente, corpo discente, produção intelectual e inserção social.


