Santa Casa chega aos 90 anos com time longevo
Instituição conta com profissionais com mais de 40 anos de dedicação e 420 profissionais atuam há 15 anos ou mais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 2026
Instituição conta com profissionais com mais de 40 anos de dedicação e 420 profissionais atuam há 15 anos ou mais

A ISCAL (Irmandade da Santa Casa de Londrina), administradora dos hospitais Santa Casa de Londrina e Hospital Infantil Sagrada Família, comemorou recentemente seus 90 anos com uma noite de homenagens aos seus profissionais ativos que já completaram 15 anos ou mais na Instituição.
Ao todo, 420 profissionais atuam na Instituição há 15 anos ou mais. São 271 funcionários, ou 16% da equipe de funcionários, e 132 médicos e fisioterapeutas, ou 22% do corpo clínico que é autônomo. Entre os funcionários, 111 já completaram 25 anos ou mais de Casa e por isso recebem o crachá Ouro. Outros 160 funcionários têm entre 15 e 24 anos de Casa e foram homenageados com o crachá Prata. Os 132 médicos e fisioterapeutas foram homenageados com o crachá Esmeralda – pedra da cor da Medicina e da Fisioterapia.
"Nesse ano do aniversário, tão significativo somos convidados a viver e sentir o lema que hoje nos une: orgulho de pertencer. Pertencer a uma instituição com essa trajetória é mais do que fazer parte — é carregar valores, é assumir responsabilidades, é reconhecer que cada um contribui, diariamente, para a construção de algo muito maior”, argumenta a superintendente Ana Paula Cantelmo Luz.
Com 90 anos, a ISCAL é primeira grande instituição da área da saúde de Londrina. Nasceu para construir o primeiro grande hospital da cidade – a Santa Casa de Londrina, que substituiu o Hospitalzinho de Madeira. São 324 leitos de internação. Desses, 274 adultos na Santa Casa, sendo9 47 de UTI. No Hospital Infantil são outros 50 leitos, sendo 20 de UTI neonatal e pediátrica. Em 2025, os dois hospitais juntos realizaram mais de 121 mil atendimentos. Cirurgias - 11.420. Internações – 19.360. Atendimentos de Urgência e Emergência – 13.230. A Instituição também foi a primeira a trazer a cirurgia robótica para Londrina. São 928 cirurgias robóticas realizadas em várias especialidades em pouco mais de três anos.
PARECE QUE FOI ONTEM
"O tempo passou e nem notei". Assim reflete a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida da Silva, 69 anos, sendo 44 dedicados à Santa Casa. "Entrei como copeira indicada por uma amiga. A Santa Casa é uma instituição onde observo a dedicação, o esforço dos funcionários e sua filantrópica tanto entre os funcionários como entre a irmandade - uma verdadeira família"

Silva considera que sua atividade junto à Irmandade contribuiu em todos os aspectos de sua vida. "Eu me sinto realizada e com a sensação de dever cumprido", revela. Contente com o crescimento da instuituição, Silva reconhece também o que a Santa Casa representa para sociedade. Na memória da trabalhora, muitas vivências, amadurecimento e respeito. "Entrei no dia 25 de agosto de 1982, exerci a função de copeira por sete anos, depois fui para a central e fiz o curso de Auxiliar de Enfermagem, profissão na qual estou até hoje", celebra.
O mesmo sentimento nutre o Oficial de Manutenção SR, Aparecido D´Ólivo, 68 anos, 36 de atuação junto à Santa Casa. Com sabedoria, recorda-se que à época de sua contratação, o hospital estava precisando de pedreiro. "Uma das Irmãs (de Schoenstatt) me trouxe para cá, ela tinha conhecimento do meu trabalho. Consigo me lembrar exatamente daquele dia". "Eu andava pelo hospital e não acreditava que estava num lugar desse. A Santa Casa da época era mais simples, não era bonita como é hoje e ainda assim, eu me sinto como se fosse a minha casa, pois faço tudo como se estivesse fazendo para mim", expõe.

Neste período, de mais de três décadas trabalhando e vivendo em uma cidade pujante como Londrina, D´Ólivo recebeu propostas de trabalho. Entretanto, conta que decidiu permancer. "O coração apertou e não tive coragem, pois além de fazer amigos aqui, a relação com as chefias, é como irmãos", divide.
Compõe também o quadro, cirurgião do aparelho digestivo Milton Ogawa, No corpo clínico desde 1984, atua há 42 anos como médico na Santa Casa de Londrina. Atualmente, ele é o chefe do serviço de Cirurgia Geral e Chefe do Serviço de Cirurgia Bariátrica - desde a implantação do serviço na Santa Casa em 2010. "O meu relacionamento com a Santa Casa é antigo, desde 1978, quando a saudosa irmã Silvia permitiu que este então acadêmico de medicina frequentasse o centro cirúrgico desta instituição. Desde então, pude acompanhar toda evolução de transformação da velha Santa Casa , para esta magnífica nova Santa Casa. Assim, este crachá Esmeralda, de reconhecimento e parceria de uma instituição que comemora seus 90 anos de existência, só nos enche de orgulho e gratidão".

SALÁRIO EMOCIONAL
No entendimento da Superintendente da ISCAL, Ana Paula Cantelmo Luz, a permanência de profissionais por longos períodos especialmente em cenários com muitos desafios, como o da saúde filantrópica, normalmente não acontece por um único fator, mas por um conjunto de motivos.
"O salário emocional é dos principais fatores, englobando tudo o que o funcionário valoriza no trabalho e que não é financeiro. Como ambiente de trabalho humanizado, o propósito institucional forte de atender o outro no momento de doença, a cultura de respeito. Vale destacar que os salários pagos pela ISCAL estão dentro dos valores de mercado", pontua.

Um outro ponto relevante, segundo a superintendente, são as relações consolidadas com as lideranças e suas equipes, com reconhecimento através do feedback de valorização técnica e comportamental. Há exemplos de profissionais em cargos de alta gestão que começaram como estagiários, é o caso superintendente Ana Paula Cantelmo Luz e do gerente financeiro e intengrante do Conselho de Administração, Manoel Velasco Jr.
Outro ponto forte na retenção de profissionais na Instituição é a presença das Irmãs de Schoenstatt. Como lideranças e, principalmente, através da Pastoral da Saúde voltada aos funcionários, elas atuam no cuidado ao funcionário e que se estende à família dele. Muitas vezes, participando de momentos marcantes de alegria e de fragilidade da vida dessas pessoas. "Isso tudo junto leva a um sentimento de pertencimento e orgulho institucional, alinhando com valores pessoais", finaliza Luz.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.


