Quem está há muito tempo no mercado, desde quando a função de garçom ainda não era tão profissionalizada e os cursos ainda eram raros, teve que aprender na prática muitas das técnicas necessárias para se dar bem na atividade. O maître do restaurante Bologna, Reginaldo da Silva de Oliveira, conta que iniciou na profissão há cerca de 13 anos, passou por várias casas e, em cada uma, aprendeu um pouco. A primeira oportunidade, no entanto, ele não esquece. ''Como estava desempregado e me falaram que alguns garçons estavam ganhando bem, resolvi tentar o curso e as oportunidades foram surgindo'', lembra.

Atualmente, coordenando uma equipe de nove garçons fora os contratados para o fim de semana, Oliveira afirma que os restaurantes focaram muito no atendimento nos últimos anos e que por isso a profissão vem amadurecendo, mas reclama da falta de cursos preparatórios. ''Ainda falta muita coisa para que se tenha mão de obra qualificada, mas essa profissão não deve acabar e há muitas vagas'', aponta.

Um detalhe curioso é que Oliveira é técnico em contabilidade, mas abandonou a profissão para se dedicar ao ramo e garante não se arrepende da escolha. ''Hoje ganho mais do que muita gente que passou por uma universidade e sei que o mercado tem muito a crescer. Basta fazer as coisas direito que as chances aparecem'', ensina.

Relato parecido tem o também maître, Vanderlei Lopes, do Takemi Club. Em busca de um serviço mais ''leve'' ele trocou o trabalho em uma madeireira para lavar copos em um restaurante de beira de estrada. Depois de 15 anos de profissão, se diz satisfeito com a mudança.

O maître salienta que, como toda profissão, a de garçom apresenta prós e contras, como, por exemplo, ter que trabalhar em dois períodos e nos finais de semana, porém alega que "todo o serviço é muito compensador".

Para Lopes, que hoje coordena uma equipe de seis pessoas, apesar de haver mais cursos do que antigamente, ainda é pouco. Na opinião dele, garçons mais experientes precisam assumir o papel de tutores de quem está iniciando no setor, e os novos profissionais precisam tomar como referência quem está há mais tempo no mercado. ''Ter bons profissionais como espelho é fundamental nesta profissão, além de estar sempre atento e disposto a aprender'', aconselha. (V.F.)

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