Rotatividade de mão de obra desafia setor de serviços
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de setembro de 2011
Kalinka Amorim <br> <br> Reportagem Local 
Empresas renomadas, diversos benefícios, plano de carreira e falta de profissionais. Este cenário vem se tornando cada vez mais comum nos últimos anos no Brasil. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese - que pesquisa o mercado formal de trabalho em geral - revela que a taxa de rotatividade no país subiu de 34,3%, em 2007, para 36%, em 2011.
O setor de serviços, de acordo com especialistas, é um dos que mais crescem em todo o País. Contudo, a falta de qualificação profissional está prejudicando essa evolução mercadológica, o que faz com que muitas empresas tenham que rever e, até mesmo, adaptar o planejamento de atuação e expansão de seu segmento. É possível verificar em supermercados, farmácias, lojas de departamentos e conveniências, lanchonetes, no comércio e setores em geral uma alta rotatividade de funcionários e constantes anúncios de contratações.
Nos supermercados em Londrina, conforme Valdecir Galhardi, presidente regional da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), existe muita rotatividade de pessoal. Ele atribui essa movimentação de funcionários aos horários praticados e à necessidade de se trabalhar nos feriados e finais de semana, e também à falta de capacitação. ''Faltam repositores, empacotadores, operadores de caixa'', afirma. ''Não é pelo salário que faltam profissionais'', alega.
''Hoje a maioria dos supermercados não paga o salário que o governo determina, paga-se a mais e muitos supermercados dão incentivos como cesta básica, plano de saúde, odontológico, vale transporte e outros benefícios'', acrescenta Galhardi, argumentando que o setor de serviços está aquecido. ''Estamos detendo a demanda de vagas com poucas pessoas para trabalhar. Com a mudança do seguro desemprego esse quadro irá mudar significativamente, porque dificultará a forma fácil de ganhar dinheiro e isso ajudará muito a nossa área'', almeja.
Um outro ponto que colabora para a falta de profissionais na área supermercadista, conforme Galhardi, é o fato da boa desenvoltura do profissional. ''Quando um colaborador se destaca ele acaba sendo observado e convidado para trabalhar em outra empresa, muitas vezes com salário até menor e deixa o posto de uma hora para outra'', resigna-se.
O mesmo se repete na área do comércio londrinense. De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Nivaldo Benvenho esse é um problema que vem se estendendo por conta do aquecimento da economia. ''Há um desencaixe entre a oferta e a procura. A economia aquececeu e hoje temos uma situação onde poucas pessoas tem qualificação profissional'', afirma. Ele alega que até pouco tempo atrás o País só pensava em criar cursos universitários e deixou de lado os cursos técnicos, por conta disso a mão de obra foi prejudicada.
Benvenho ainda acrescenta que essa rotatividade deve permanecer por mais algum tempo. ''O mercado passa por ajustes salariais e as empresas que mais demorarem para se adequar são as que mais vão sofrer'', analisa. E o que tem sido feito, conforme ele, para combater esse reflexo é a capacitação de colaboradores. ''A Apras e as construtoras locais estão montando centros de formação para capacitar essa mão de obra.Quando um setor começa a ser capacitado, outro fica desfalcado. Isso acontece com todos os países em desenvolvimento e com o Brasil, nesse ritmo acelerado de crescimento, não é diferente'', finaliza.


