Reflexões sobre os rumos da profissão
Apesar da área de engenharia ser promissora e ter havido um boom de abertura de cursos na área, especialistas levantam questionamentos quanto à formação dos profissionais.
O inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Julio Cotrim, avalia que cada vez mais as instituições de ensino superior têm criado cursos e o número de formandos deve atender a quantidade de vagas disponíveis no mercado, no entanto, outras questões, segundo ele, impedem que isso ocorra de forma tão rápida.
Cotrim afirma que muitos dos alunos que entram em cursos de engenharia não possuem um bom domínio de matemática e física, matérias determinantes para a boa formação profissional. ''Com isso a evasão passa a ser muito grande. Há casos em que o índice de desistência chega a 50%'', revela.
Outro dado que na sua avaliação explicaria a falta de mão de obra é que boa parte dos graduados acabam não solicitando o registro do Conselho e vão para outras áreas. ''Uma análise recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que três a cada cinco engenheiros não estão no mercado'', revela.
Ele conclui que atualmente a mão de obra gerada é suficiente para a demanda de mercado, no entanto isso pode mudar de acordo com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e reforça que a qualidade do ensino fundamental e médio precisa melhorar.
O engenheiro eletricista e professor, Marco Antonio Ferreira Finocchio, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR) em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), que também é vice-presidente da Associação Profissional dos Engenheiros e Arquitetos de Cornélio Procópio, apimenta a reflexão quanto a formação dos profissionais.
Uma das suas preocupações é o crescimento da abertura de novas turmas de engenharia nas instituições de ensino muitas vezes sem a devida estrutura, mas baseadas na ânsia para se atender a propagada demanda por novos profissionais e também na mercantilização da educação. ''Será que no futuro teremos mercado para estes tantos profissionais que estão sendo formados? Será que esses engenheiros terão de fato uma formação de qualidade ou serão prejudicados pela pressa, pelo discurso político?'', finaliza.(V.F.)





