Imprimir cópias e cópias do currículo, percorrer diversos endereços para entregá-los e aguardar dias por um telefonema. Até pouco tempo atrás, essa era a maneira mais eficaz de se candidatar a uma vaga de emprego. Quanto às empresas, estas contavam basicamente com os serviços de agências e os murais fixos para divulgação.
Essa tradicional forma de contratação e procura não foi absolutamente extinta, porém, vem dividindo espaço com a tecnologia. Nos últimos anos, com as inúmeras possibilidades da internet, a acessibilidade aos dispositivos eletrônicos e as ferramentas direcionadas ao interesse de cada um, os novos sistemas de recrutamento já são uma tendência.
Prova disso são as experiências de quem já conseguiu preencher a vaga e daqueles que alcançaram o desejado emprego. Além disso, os números não enganam. A Jobvite, empresa norte-americana que atua no mercado de soluções para recrutamento, divulgou recentemente um estudo com 1,8 mil gestores de diferentes empresas.
Os dados mostraram que cerca de 90% dos profissionais que atuam na área de Recursos Humanos (RH) em todo o mundo, irão utilizar as redes sociais para busca e contratação de funcionários. No Brasil, cerca de 44% das empresas já usam essas ferramentas. Outro ponto relevante da pesquisa é que 93% dos líderes das empresas afirmaram visitar os perfis dos candidatos nas redes sociais.
O LinkedIn (rede social profissional) é apontada como a ferramenta de recrutamento mais popular (94%) e o Facebook surge como a segunda, com 66%. Mas ainda são poucos os profissionais que se consideram especialistas em recrutamento nas redes sociais, apenas 18% dos entrevistados se dizem experts com a plataforma.
O coordenador do curso de gestão de RH da Unopar, Henrique Gambaro Vieira, observa que a nova forma de recrutamento vem acompanhando a evolução da sociedade. "Hoje, a vida privada e a profissional não têm mais distinção, pois tudo o que as pessoas fazem, está na internet. Não conseguimos mais pensar em um mundo sem ela (internet), mas precisamos estar bem cientes sobre os cuidados que devemos ter quanto o uso das redes socais", enfatiza.
Tendo essa consciência, Vieira defende que a ferramenta só traz ganhos. "Antes, quando o currículo era enviado para as empresas, ele chegava apenas nas mãos de uma pessoa específica. Agora, no momento que o candidato o disponibiliza na rede, ele está ao alcance de todo mundo", afirma.
Além disso, o especialista ressalta a possibilidade do recrutador ‘linkar’ várias informações com uma simples busca na internet. "Quem irá contratar, terá acesso a um volume maior de dados sobre o candidato, como competências e experiências, o que ajudará muito na entrevista. Quanto mais informações, é possível afunilar o perfil do candidato e isso já funciona como uma pré-seleção", explica.
Ainda de acordo com ele, os murais on-line garantem às empresas um alcance maior de candidatos, ou seja, de currículos. Aliás, mesmo com essas transformações, o currículo continua sendo fundamental. "Os murais nas redes sociais não aproximam o candidato da vaga, e sim da entrevista. O currículo segue como passaporte", diz.

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