Escolher uma profissão e se tornar bem sucedido; um sonho almejado por quase todos os indivíduos na sociedade atual, mas que nem sempre representa satisfação pessoal.
Não é difícil encontrar quem cursou uma instituição de ensino superior visando uma área de atuação e hoje se encontra fazendo algo totalmente diferente. Exemplos não faltam e este é o caso de Miriam Hosokawa.
Muitas vezes quem se encanta com sua voz, que compõe o grupo Chorus de Londrina nem imagina que até pouco tempo atrás ela trabalhava como farmacêutica. Ao todo foram 13 anos atuando no setor, quase todos eles, especificamente com manipulação. ''Durante esse período nunca deixei a música de lado. Quando entrei no Chorus eu ainda não estava nem na faculdade'', lembra ela.
Sempre exigente consigo, Miriam relata que muitas vezes não conseguia dedicar-se inteiramente às duas funções. Embora fosse uma boa profissional de farmácia, ela sentia necessidade de se dedicar mais. Por outro lado, o mesmo ocorria com sua carreira musical. ''Isso me incomodava um pouco, até que comecei a planejar para escolher entre uma ou outra carreira. No final do ano passado decidi que tomaria essa atitude'', diz.
Apenas no mês de maio deste ano ela se desligou totalmente de sua antiga profissão e hoje vive apenas de música. Embora a mudança seja recente, ela garante estar se acostumando bem com a ideia. ''Nos primeiros dias me senti de férias, agora até sinto falta da rotina da farmácia, mas poder ir ao estúdio e estudar uma música me preenche tanto que essa saudade logo acaba'', garante.
Miriam reconhece que financeiramente houve um decréscimo em sua renda habitual, mas tem encarado a mudança com muita serenidade e aponta o planejamento como a ''chave'' para essa tranquilidade. ''Eu me planejei para esse momento. Antes eu tinha a renda da farmácia e do Chorus, agora só tenho a do grupo, mas estava pronta para isso. Pretendo dar aulas para complementar a renda'', projeta.
Embora pregue cautela antes de qualquer mudança, Miriam aconselha quem passa pela mesma situação de dúvidas e incetezas a se estruturar antes de tomar decisões. ''Toda mudança tem que ser bem estruturada para dar certo. Temos que pesar o que nos faz mais feliz. Dinheiro não é tudo'', opina.
Casal deu uma guinada
Mara e Pedro Nunes são profissionais que experimentaram uma guinada na carreira e se sentem realizados com a Casa do Sabor, que oferece cafés da manhã e serviços de buffet para eventos em empresas, casamentos e aniversários, entre outras festas.
Relações públicas, ela tinha a culinária como um hobby e, aos poucos, foi transformando isso em atividade profissional ao lado do marido, veterinário por quase 20 anos. Há seis anos, eles atuam no novo empreendimento aque vai de vento em popa.
Mara lembra que sempre gostou de cozinhar e ao tentar se encaixar no mercado de trabalho, após o nascimento dos filhos, viu dificuldades e decidiu apostar nesse nicho, ainda de forma informal. ''Tivemos filhos e como ele viajava muito eu parei de trabalhar. Quando as crianças cresceram um pouco resolvi que era a hora de voltar, mas acabei optando pelo ramo da alimentação. Como sempre gostei, comecei a cozinhar para amigos e parentes'', explica.
A informalidade durou cerca de dois anos apenas devido ao volume de trabalho, segundo Mara. Já Pedro permaneceu atuando como veterinário e aos poucos passou a ajudar na empresa. ''Foi uma mudança que ocorreu aos poucos. Primeiro ajudava com 10% do meu tempo, depois com 20%. Quando vi estava trabalhando de manhã como veterinário e à tarde na empresa'', conta Pedro, que agora dedica-se somente ao buffet.
Mesmo tendo aberto mão de carreiras bem sucedidas ambos se sentem realizados com o novo negócio. Pedro conta que antes viajava e passava muito tempo longe da família. ''Agora, isso mudou e até nossos filhos nos ajudam aqui'', pondera Mara.
Por cerca de 20 anos, Pedro Nunes atuou como veterinário e foi gerente executivo da Associação Brasileira de Limousin (ABL). ''Não é fácil abrir mão de algo que se sabe fazer, ainda mais se souber fazer bem. Não se pode deixar que o medo o impeça de fazer algo diferente, mas também não adianta achar que não existirá dificuldade na nova função'', ensina Pedro Nunes.

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