Alguém de confiança, que realiza muito bem suas atribuições e que fica, na maioria dos dias, mais tempo na casa do patrão do que em seu próprio lar. Embora essas afirmações sejam verdadeiras, os empregados domésticos são bem mais que isso e em algumas residências são tratados até mesmo como membros da família.
A professora aposentada Janir Messias Gonzalez, por exemplo, afirma que sua funcionária Ana Maria Costa é antes de tudo ''uma amiga mais que especial''. Também pudera são 28 anos de convivência diária.
Ana conta que nesse período a patroa acompanhou o nascimento de um de seus dois filhos. ''Tenho uma menina de 26 anos que praticamente criei aqui nesta casa'', lembra. Ela contou com o apoio da patroa, mas também viveu momentos em que precisou dar força à família. ''Quando a dona Janir ficou viúva, há dois anos, acompanhei tudo.''
A funcionária faz questão de destacar que sempre trabalhou devidamente registrada e se diz grata por esta preocupação de seus empregadores. Ana Maria acredita que a possível aprovação da lei poderá ser benéfica à classe e garante que não pretende trocar de emprego nunca. ''Não há dinheiro ou benefício que pague a nossa amizade. Ainda não conversamos sobre a lei, mas isto não será problema'', garante.
Já Janir é só elogios à funcionária. ''Ana é bem humorada, muito capaz e eficiente, é uma grande amiga. Até dirige pra mim'', conta.
E pensar que tudo começou por indicação de um amigo. ''Sempre trabalhei fora e precisava de alguém, quando a Ana chegou não sabia que iria durar tanto tempo, estas coisas não se planejam, hoje ela é como alguém da família'', afirma.
A boa relação entre patroa e empregada também é uma realidade na residência da empresária Isabela Martins Biondo, que há cerca de dois anos conta com os serviços de Maria Solange de Moura Pereira.
Isabela garante que mesmo com a aprovação da lei pretende continuar com a funcionária e se adequar às normas. ''Eu preciso dela e ela de mim então vou fazer o possível para mantê-la. Ela é importante na minha vida e temos um relacionamento muito bom'', aponta.
A empresária pondera que embora pretenda seguir com Maria Solange, é possível que muitos patrões optem por demissões e passem a se utilizar de outros serviços para tentar suprir suas necessidades, como as diaristas e empresas do ramo de limpeza residencial. No entanto, Isabela vê com bons olhos a mudança. ''Será importante para a classe caso a lei seja mesmo aprovada então não tenho nada contra'', comenta.
Já Maria Solange, que acabará sendo beneficiada pela ampliação da lei, comemora o fato de serem discutidos novos direitos para sua classe de trabalho, mas aponta para um problema que pode surgir. Segundo ela, hoje sua carga horária varia de acordo com a demanda de serviço. ''Se tenho alguma coisa por fazer eu fico, mas se não tenho saio mais cedo'', explica. ''Com a nova lei terei um horário a cumprir e terei até hora de almoço, mas acho que nos dias em que o serviço apertar, não só eu, mas outras empregadas não vão cumprir essa hora não'', completa. (V.F)

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