Quadro pode evoluir para depressão
A psicóloga Maria Cecília Balthazar aponta que o estresse no trabalho pode propiciar tristeza e desânimo, e o mal-estar decorrente, se não for tratado, pode gerar desde pequenas manifestações psicossomáticas, como resfriados, dores de garganta e alergias, a quadros severos de depressão e doenças físicas.
"A pessoa se sente desestimulada. O trabalho é algo que tem que proporcionar prazer. Se gera desprazer, tem que ser evitado, mas não tem como ser evitado, porque a pessoa tem que trabalhar. Então começa o conflito interno", descreve. "O trabalhador não precisa aceitar isso. Tem que conhecer a sua capacidade, a sua realidade de trabalho, e não se deixar levar por pressões externas."
A psicóloga aponta alguns profissionais que têm mais propensão a quadros de estresse: trabalhadores com poder de decisão, como executivos; da área de saúde; professores; funcionários que têm metas rígidas a cumprir e/ou trabalham diretamente com atendimento ao público, como bancários.
No ano passado, em razão do estresse, a enfermeira Roberta (nome fictício) pediu demissão do hospital onde trabalhava há 20 anos. "Estavam fazendo uma pressão, por uma disputa de poder, e bons funcionários estavam sendo demitidos. Não era nada diretamente comigo, mas me afetou", lembra.
Roberta conta que sofreu uma infecção no esôfago e perdeu peso. "O médico me disse que fiquei doente porque minha resistência tinha baixado com o estresse", diz a enfermeira. Desde então, ela não trabalhou mais na área. "Priorizei minha saúde", justifica.
A bancária Daniela (também nome fictício) relata que já teve crises de herpes, estômago e ansiedade devido ao estresse provocado pelo trabalho. Teve que pedir afastamento temporário do emprego duas vezes. "Entrei no banco há cinco anos e após seis meses já comecei a tomar remédios para a ansiedade", diz a bancária.
Além de acompanhamento psiquiátrico, Daniela tem recorrido à atividade física para diminuir o estresse. Também tem procurado mudar a forma como encara o trabalho. "Vou entrar, trabalhar, cumprir minhas horas, e não levar os problemas embora quando estiver fora do serviço", explica. (F.G.)





