Profissional de eventos deve ter perfil empreendedor e inovador
Com recursos escassos e nova geração entediada nas salas de convenções, profissional de eventos precisa se reinventar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Com recursos escassos e nova geração entediada nas salas de convenções, profissional de eventos precisa se reinventar
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

Junto com gastronomia, o setor de eventos é o mais importante da Economia Criativa londrinense. A conclusão é do caderno de estudos de 2018 do Fórum Desenvolve Londrina, sobre “Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável de Londrina”. O Londrina Convention Bureau estima que a cidade movimente cerca de R$ 100 milhões e atraia 100 mil turistas ao ano com feiras e eventos sociais, esportivos, corporativos, técnico-científicos e de entretenimento como a ExpoLondrina e outros promovidos por instituições de ensino, empresas e entidades. Os eventos ligados à inovação e ao agronegócio, em especial, têm trazido grande movimento à região.
Tudo isso faz de Londrina e região um mercado favorável para o profissional que atua no setor de eventos, avalia Daiana Bisognin Lopes, presidente do Londrina Convention Bureau. Mas uma das conclusões do estudo do Fórum Desenvolve é que, para desenvolver o seu potencial na cidade, o setor de eventos precisa capacitar melhor e atualizar os seus produtores e organizadores para as mudanças do mercado, comenta Maitê Uhlmann, que é coordenadora do curso de pós-graduação em Planejamento e Gestão de Eventos, recém-lançado na Universidade Positivo, com aulas a partir de maio.
Segundo ela, o curso é inédito na cidade e foi formatado para atender às necessidades do mercado de Londrina e região metropolitana. Conforme ela, a pós-graduação capacita o gestor a melhorar a gestão de eventos e a criar novos projetos de maneira prática.
O profissional dessa área não necessariamente trabalha em uma empresa de eventos. Pode trabalhar para uma empresa no setor de comunicação, que é o que geralmente lida com esse assunto. Turismo, relações públicas, secretariado executivo, marketing são alguns exemplos de área de formação dos profissionais que atuam no mercado de eventos. “Conheço várias pessoas que vêm de outros setores e que acabam sendo atraídos para a área”, conta, comenta Daiana, que também é empresária do setor de eventos.

Mas com recursos públicos escassos para o segmento, uma das novas competências que os gestores de eventos precisam desenvolver é a de buscar ferramentas para viabilizar eventos. “Tem que ter visão empreendedora. Cada evento é um empreendimento. Tem que ter planejamento estratégico, gestão financeira, plano de negócios”, aponta Uhlmann.
Com o país em recuperação econômica, o setor teve de se reinventar, e o profissional que “faz bem com menos recursos” é aquele que se destaca no mercado, opina Lopes. Um exemplo foi substituir os caríssimos coquetéis ao final do eventos por um show musical em uma praça de food trucks. “A inovação é um dos diferenciais de quem está no mercado.”
Nesse cenário, cabe aos profissionais olharem para o setor com uma visão estratégica, sustentável e inteligente para superar esse momento, diz Uhlmann. “Quem vai movimentar a economia é o mercado. Promover eventos interessantes, inteligentes, preocupados com a sustentabilidade também pode ajudar o país a se recuperar.”
INOVAÇÃO
Para Eduardo Frezarin, CEO da Yazo, de aplicativos para eventos, o profissional do setor hoje precisa ser um bom conhecedor do comportamento das pessoas, que está mudando radicalmente com os jovens da nova geração participando dos eventos. “Tempo atrás o profissional de eventos era alguém que conhecia muitos lugares para eventos, fornecedores, o cardápio, protocolo e cerimonial. Isso continua, mas nunca foi tão necessário alguém que preste atenção e entenda do comportamento das pessoas.”
A geração mais jovem, segundo ele, já não quer ficar horas sentadas em uma sala assistindo a uma palestra em eventos. “Ela quer colocar a mão na massa, ir a um evento ao ar livre, usar ferramentas tecnológicas.” Muitos eventos de sucesso hoje estão decaindo por não atenderem mais à expectativa das pessoas, afirma Frezarin.
Fazer uma consulta para saber que tipo de assunto as pessoas gostariam de ver em um evento, ou lançar uma enquete – por meio de um aplicativo - no meio de uma palestra para saber qual a opinião do público sobre determinado assunto, em tempo real, são exemplos de como o setor está inovando para manter a atenção das pessoas. “Aí o público se sente parte do evento, que começa a ser colaborativo. Não é mais aquela coisa: 'eu decido, eu organizo, eu coloco o palestrante e você senta e ouve'.”


