Diante de conflitos constantes de identidade entre as profissões de bombeiro militar e bombeiro civil, em 12 de janeiro de 2009 foi sancionada a Lei Federal 11.901, que regulamenta a profissão de bombeiro civil. Até então, desinformação e outras complicações marcaram a história da profissão.

Conforme o diretor de ensino do curso de bombeiro civil da PCT Treinamentos e bombeiro civil do Catuaí Shopping Ricardo Vinci, a profissão sempre existiu, mas não era regulamentada. ''Por conta disso, faltam profissionais no mercado de trabalho. No Catuaí Shopping, por exemplo, trabalhamos em quatro bombeiros civis, fazemos turnos de 12 por 36 horas, e, para que a empresa não fique descoberta, esse é o número mínimo de profissionais. Uma estimativa concreta ainda não existe, mas sei que precisamos de muitos profissionais para atuar nessa profissão'', conta.

E se engana quem pensa que tal função pode ser acumulada por algum segurança ou brigadista e bombeiro civil. ''No caso de um incêndio, se um segurança acumula a função, como ele vai socorrer as pessoas e apagar o incêndio ao mesmo tempo? Isso é inviável'', argumenta Vinci.

A ignorância por parte da população, do mercado de trabalho, de escolas e até mesmo dos próprios bombeiros propaga a ideia que as duas profissões são 'uma coisa só', o que não é verdade. ''O bombeiro civil existe no Brasil desde 1892 e a profissão existe para atender duas demandas: a de prevenção e ação em emergências internas nas empresas, e a prestação de socorro em complementação da segurança pública nas cidades em que não há ou existe de forma deficiente o serviço de Bombeiros das Polícias Militares dos Estados'', afirma o professor Ivan Campos, diretor do Instituto Brasileiro de Pesquisas em Emergência.

Ele esclarece que o bombeiro civil não é parte dos serviços de vigilância e segurança patrimonial, mas dos serviços de saúde e segurança no trabalho. ''Os responsáveis pelo bombeiro civil, na empresa, devem ser o engenheiro, tecnólogo ou técnico em segurança no trabalho. Estes devem estar vinculados ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) ou em departamento próprio de Bombeiros na empresa, mas sempre ligado ao SESMT'', afirma.

O Bombeiro Civil é peça chave no plano de emergência de qualquer empresa, assim precisa estar muito bem treinado nas possíveis situações do local que trabalha. ''Situações essas que vão muito além de prevenção e combate a incêndio, temos plano de abandono, emergências ambientais, salvamento e muito mais'', salienta Campos.

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