Produção industrial cresce 3,2% em agosto
Setor cresce, mas ainda não compensou a perda de 27% entre março e abril quando a pandemia parou o Brasil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de outubro de 2020
Setor cresce, mas ainda não compensou a perda de 27% entre março e abril quando a pandemia parou o Brasil
Diego Garcia/ Folhapress
Rio de Janeiro - A produção industrial brasileira emendou o quarto mês seguido de alta após tombo recorde causada pela pandemia da Covid-19 no Brasil, mas ainda não conseguiu recuperar as perdas do pior período da crise.
O crescimento em agosto foi de 3,2% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Nos quatro meses de recuperação, o setor ainda não compensou a perda de 27% entre março e abril, quando a pandemia atingiu o país e levou ao fechamento de comércio, bares, restaurantes e shoppings, a fim de promover o isolamento social para conter o avanço do coronavírus.
No pico da Covid-19, com tombos de 9,1% em março e 18,8% em abril, a produção industrial brasileira atingiu o pior patamar da história. Diante desse cenário, o setor ainda continua 2,6% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia. No acumulado do ano, a indústria brasileira recuou 8,6%.
Já na comparação com agosto do ano passado, a queda foi de 2,7%, a décima consecutiva, o que mostra mais os efeitos da pandemia, que atingiu seu sexto mês influenciando os resultados da pesquisa.
O gerente do IBGE André Macedo vê o setor em recuperação, mas ainda com partes de sua produção a serem resgatadas. "Há uma manutenção de certo comportamento positivo do setor industrial nos últimos meses. É um avanço bem consistente e disseminado entre as categorias", apontou.
Todas as grandes categorias avançaram em agosto na comparação com julho. O maior crescimento foi de bens de consumo duráveis, com 18,5%. Nos últimos quatro meses, a expansão da produção do segmento foi de 524,5%. Apesar do número expressivo, o setor ainda está 3% abaixo do nível de fevereiro.
A maior influência foi do ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 19,2%. A alta de 901,6% desde maio ainda não é o suficiente para alcançar o nível pré-pandemia. Atualmente, a produção está 22,4% abaixo do patamar de fevereiro.
Segundo André Macedo, a produção dos automóveis impacta não só dentro da categoria de Bens de consumo duráveis, mas no setor industrial como um todo. "Porque influi na confecção de autopeças, caminhões e carros em geral", explicou.
A indústria foi o setor da economia com maior queda no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, quando recuou 12,7%, o maior tombo desde que o IBGE começou a calcular o PIB no formato atual, em 1996.
No trimestre, o PIB brasileiro caiu 9,7%, também um tombo inédito na história da pesquisa.
Para economistas, o ritmo da retomada vai depender da recuperação do mercado de trabalho, que ainda não deu sinais de reação à crise provocada pela pandemia.