Procuram-se líderes
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Passada a fase mais crítica da crise econômica, o mercado voltou a contratar executivos. É o que aponta um estudo recente da DBM Brasil, braço local da empresa global de gestão de recursos humanos. Segundo a pesquisa, a demanda por profissionais capacitados para trabalhar em cargos de chefia intermediária, gerência, diretoria, presidência e conselho de administração cresceu 36% entre julho e setembro do ano passado, em comparação ao mesmo período de 2008.
O levantamento ainda informa que o setor de serviços foi o que mais colaborou para a expansão do número de vagas para executivos, com uma demanda quatro vezes maior do que o volume verificado no terceiro trimestre de 2008. Independentemente do setor de quem contrata, os perfis mais procurados são para a atuação nos campos administrativo e financeiro, seguidos da áreas comercial e de marketing.
Para Cláudio Garcia, presidente da DBM Brasil, a retomada foi ''surpreendente''. O problema, agora, segundo ele, é que vão faltar profissionais realmente competentes para as vagas disponíveis. Estamos diante, então, de um ''apagão de liderança'', como se costuma dizer no meio corporativo brasileiro? ''Acho que não. Temos uma deficiência, isso sim, no nosso processo de formação de lideranças'', afirma.
Mas a formação e a busca por líderes não são ciências exatas, e Garcia faz questão de desmistificar receitas prontas oferecidas por alguns gurus da autoajuda empresarial. ''Cada companhia está num momento de desenvolvimento diferente. O setor de engenharia, por exemplo, está contratando pessoas mais velhas e experientes, pois as faculdades não formaram muitos profissionais entre os anos 80 e 90'', explica, contrariando a ideia de que só os jovens têm espaço no mercado.
Network e atualização
Do outro lado do balcão, quem está atrás de uma recolocação ou quer mudar de emprego deve se manter atualizado e com o network (rede de relacionamentos) em dia. ''Mas não adianta procurar as pessoas só quando se está precisando. E nem fazer cursos que não tenham um nome de peso ou não agreguem muita coisa'', ensina a psicóloga Luciana Camuri, consultora em Recursos Humanos da empresa GD9, de Curitiba.
Há poucos dias, Luciana encerrou o processo de seleção para uma vaga de gerente de contabilidade de uma rede de hotéis. O perfil solicitado pelo contratante incluía experiência em gestão de pessoas e no segmento de prestação de serviços - além das habilidades técnicas inerentes à função. Depois de uma série de entrevistas com seis candidatos, chegou-se ao nome de Éder Pinheiro, de 40 anos, que até então trabalhava no setor de controladoria de um hospital.
''Antes disso, fui auditor por três anos. Também fiz duas pós-graduações e iniciei um mestrado, além de ter vários cursos na área de legislação, que está sempre mudando. Acho que essa mistura de conhecimentos me ajudou nesse processo'', diz Pinheiro, que a partir de março vai comandar os departamentos financeiros de 22 hotéis espalhados pelo Brasil. ''Será um crescimento profissional, pois saio de uma instituição sem fins lucrativos para uma empresa maior, que inclusive promove a distribuição dos lucros'', completa.
Essa coragem de arriscar é sempre importante, porém não se deve deixar de levar em conta a satisfação pessoal, como alerta Cláudio Garcia. Sem receio de soar piegas, ele garante que a principal questão é: ''Onde seu coração quer ir?''. ''Aproveite que o mercado está bom e escolha o que lhe dá prazer. Porque não adianta fazer uma atividade que você não gosta durante cinco dias seguidos e só ter prazer no fim de semana'', conclui o executivo.


