Para a recolocação no mercado após os 50 anos é necessário, mais do que nunca, engajamento e persistência. "No planejamento, os primeiros passos são tomar atitudes como voltar a estudar, fazer cursos de capacitação e buscar informações sobre o novo rumo, com um plano de negócios", comenta o consultor Rubens Negrão. Nesse período, é tempo ainda de conhecer os pontos fortes, desenvolver novas habilidades e, ainda, acreditar no próprio potencial.
Foi exatamente o que fez o professor universitário João Coelho quando decidiu aceitar a proposta de deixar a cidade de Santos, no litoral paulista, onde trabalhava como consultor havia 15 anos, e mudar para Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). "Já estava cansado de viajar direto a trabalho e precisava de qualidade de vida", destaca. Já instalado na nova cidade e com um bom emprego em uma grande empresa da região, na qual criou uma área de planejamento e administração de vendas, colocou em prática todo o conhecimento adquirido ao longo da carreira.
Aqui, com uma rotina mais tranquila, já no ano seguinte, conseguiu também dar início a um grande sonho, que era lecionar. Mas, antes, precisava estudar. "Aos 40 anos de idade fui fazer uma pós-graduação para que a titulação pudesse agregar meu currículo", conta. Com a experiência e desenvoltura, não demorou a começar a dar aulas na Unopar, onde atua até hoje, e em várias outras instituições de ensino superior. "Comecei por prazer e tenho certeza que é minha grande paixão."
Certo de que havia feito a escolha correta de ingressar na docência, tinha planos de continuar na vida empresarial por mais alguns anos. Contudo, um imprevisto aconteceu. "Houve extinção de cargos na empresa e acabei sendo demitido em 2012. Foi quando comecei a me dedicar exclusivamente à vida acadêmica." Hoje, aos 49 anos, ele garante que tem muito a ensinar e orgulha-se do livro que já escreveu. "Conto um pouco da minha história e como funciona, realmente, um chão de fábrica das empresas. Coisas que os livros técnicos não ensinam", diz.
Planejamento
Após 15 anos como funcionário do Sebrae na área de treinamento financeiro, vendas e marketing, Sidney Kayamori sempre pensou em ter sua própria empresa. Em 1999, recebeu convite para auxiliar a implantação de uma franquia de varejo norte-americana e percebeu ali a oportunidade que precisava. "Antes de tomar a decisão de largar o emprego, pedi uma licença de um mês sem remuneração e fui conhecer o projeto nos Estados Unidos. Fiz um curso e vi a dimensão de tudo. Voltei e deixei o emprego com a certeza de que estava tomando a decisão certa", lembra.
Anos antes, porém, foi planejando o futuro investindo em diversas áreas, tais como imóveis e salas comerciais. "Fui criando uma base financeira para mim, já que tenho uma remuneração variável." E sabendo que se tratava de um projeto com data para terminar - de três anos - foi criando, ao mesmo tempo, uma cartela de clientes para sua atuação como consultor independente. "Escolhi, por exemplo, um esporte para participar, o tênis, onde está o meu público-alvo. Além de amigos, consigo ter uma prospecção de clientes", salienta.(M.T.)

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