Planejamento futuro é ignorado nas empresas
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domingo, 19 de julho de 2009
Andréa Bertoldi<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - A política de sucessão não é prioridade nas empresas. O grande problema é que 20% dos executivos da geração dos chamados baby boomers - nascidos até 1964 - irão se aposentar até 2010. Pesquisa realizada pela consultoria especializada em gestão do capital humano DBM, em parceria com a Acta Educação RH e Carreira, mostra que de um total de 308 empresas brasileiras analisadas, 159 (52%) não contam com qualquer método, política ou procedimento relativo à sucessão.
Quando consideradas apenas as empresas de capital nacional, a sucessão é mais exceção do que regra. Entre as companhias brasileiras, apenas 26% mantêm programas formais dedicados ao tema.
''Grande parte das companhias brasileiras ainda não percebeu ou não agiu diante da necessidade de pensar na sucessão como algo importante para o crescimento de seus empreendimentos. Isso gera situações delicadas quando alguém com muita informação e conhecimento da organização, por algum motivo, deixa-a sem substituto. É uma situação que promove prejuízos invisíveis'', disse o presidente da DBM, Cláudio Garcia.
''Há casos nos quais a simples consideração de que o presidente da companhia possa estar doente provoca movimentos relevantes em suas ações. Para evitar isso, é necessário que o executivo tenha um sucessor e uma política de sucessão clara'', destacou.
De acordo com Carla Mello, diretora da Acta, as empresas ainda não perceberam que, se os executivos em altos cargos deixarem subitamente as empresas, podem ocorrer grandes prejuízos por não existir dentro da organização alguém que tenha o mesmo conhecimento sobre sua cultura ou que esteja pronto para exercer a nova função.
O estudo da DBM considera companhias de pequeno, médio e grande porte, de capital nacional ou multinacional em operação no Brasil. Para o levantamento foram ouvidos executivos em cargos de gerência, diretoria, vice-presidência e presidência de companhias com até cem funcionários (8,77% da base pesquisada) até de empresas com mais de cinco mil empregados (33,44% do total).
As maiores empresas em número de funcionários são aquelas nas quais a existência de um plano formal de sucessão é mais comum. Das 103 companhias pesquisadas que reúnem mais de 5 mil funcionários, 69% adotam regras formais para sucessão de profissionais. Entre as companhias com 1001 e 5 mil funcionários (95 da companhias analisadas), 56% adotam uma política nesse sentido.
Entre os executivos que contam com sucessores, a maior parte tem idade que os coloca no rol de profissionais seniores. Dos 215 executivos que responderam que já têm sucessor à vista, 33% têm entre 42 e 48 anos, 21% têm entre 35 e 41 anos e outros 21% têm entre 49 e 55 anos. Apenas 3% têm de 21 a 27 anos e 15% de 28 a 34 anos.
O potencial sucessor tem, em média, oito anos menos do que o potencial sucedido. Cerca de 67% dos entrevistados do sexo masculino tinham outros homens para ocuparem seus lugares. As mulheres que responderam a pesquisa, 73% escolheriam outras mulheres para sucedê-las.


