Período curto não desperta confiança
Curitiba - Alguns dos quesitos apreciados pelas empresas hoje na hora da seleção de um profissional são o tempo de permanência nos empregos anteriores, os projetos que desenvolveu e os resultados desses trabalhos.
''As empresas querem saber os trabalhos que a pessoa desenvolveu, mas se preocupam com permanência menor que três anos em cada emprego'', disse a vice-presidente de desenvolvimento da Associação Brasileira de Recursos Humanos, regional Paraná, e diretora da Nossa Gestão de Pessoas, Marilda Morschel.
Segundo ela, são avaliadas a qualificação e a história profissional não apenas na última empresa que a pessoa passou, mas em toda a evolução da carreira. ''Para áreas mais técnicas é preciso ter um período mínimo na empresa para mostrar resultados'', disse.
Washington Oliveira, 50 anos, é um exemplo de profissional que optou por permanecer mais tempo nas empresas nas quais atuou ao longo da carreira, mas mesmo assim não deixou de lado a progressão de cargos. Ele começou como assistente de recursos humanos e hoje atingiu o topo da carreira com o cargo de diretor corporativo de RH.
Começou a atividade profissional com seis anos de atuação no Exército, depois ficou 15 anos na Bosch, cinco anos em uma consultoria de RH e agora está há nove anos na multinacional espanhola Gestamp Automocion. ''Ao permanecer mais tempo nas empresas é possível criar um vínculo maior com as áreas que você está atuando'', disse. Ele acredita que em um espaço menor que três anos não é possível ter um cargo melhor e a confiança das chefias da empresa.
Oliveira diz acreditar que o tempo de permanência maior nas empresas permite a promoção em cargos e nível salarial. ''A pessoa só vai ter ascensão e ganhar melhor com uma estabilidade maior'', disse. Ele destacou ainda que a pessoa pode se tornar um especialista dentro da sua própria organização.
Para ele, a permanência nas empresas trouxe reconhecimento e satisfação profissional. ''Hoje, tenho experiência em todas as áreas de recursos humanos. A estabilidade me ajudou a ter promoções e uma situação financeira melhor'', concluiu. (A.B.)





