Perfil 'movido a chefe' pode ser um obstáculo
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domingo, 30 de setembro de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 
Se o trabalho "sem chefe" e em casa exige tanta proatividade e disciplina, haverá aqueles profissionais com um perfil incompatível para este modelo? Para os especialistas ouvidos pela reportagem, alguns, de fato, podem encontrar mais dificuldades. "Nem todo mundo tem o perfil para trabalhar como dono de si", diz Andréa Gauté, diretora da ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos). "Há pessoas que precisam estar vinculadas a uma empresa, que não têm perfil para se autogerenciar. Elas podem desenvolver essa competência, mas precisarão de muita autoconsciência", diz.
Segundo o publicitário André Brik, o profissional não pode ser "movido a chefe". "A pessoa estará sozinha na maior parte do tempo. Precisará ter proatividade na prospecção de clientes, para começar o dia de trabalho, saber a hora de parar. Há uma série de questões", diz.
Andressa Schneider, co-fundadora da 99jobs, acrescenta que o freelancer também precisa ter muita segurança quanto à qualidade do que está entregando, o que pode ser difícil para quem não teve experiências anteriores. "Talvez não seja o ideal para o início de carreira", avalia. "Mesmo que o perfil da pessoa seja esse, talvez valha a pena trabalhar em uma empresa por pelo menos um semestre para saber como funciona o mercado e como é a demanda", diz.
A experiência também é fundamental para entrar em contato com clientes e criar uma rede. "Ter trabalhado em outro lugar ajuda muito para isso", diz.
Andréa lembra que as relações de trabalho baseadas em serviços devem ganhar força no futuro, o que exigirá uma mudança de perfil. "O trabalho com carteira assinada continuará existindo, mas o mundo está se abrindo cada vez mais para o trabalho por projetos", prevê. (R.C.)


