Um gargalo que impera nas pequenas e médias empresas do País, se tornou foco de uma cartilha inédita lançada neste mês pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). O guia prático "Diversidade: o que é e o que ela pode fazer pelos seus negócios" é uma ferramenta gratuita que visa facilitar o acesso ao conteúdo e traçar pilares básicos para que as empresas criem e apliquem um plano de ação sobre convivência entre as diferenças.
CEO da Amcham Brasil, Deborah Vieitas, esclarece que a inclusão da agenda de diversidade deixou de ser uma opção. "Hoje, é um fator importante para o modelo de negócio de qualquer organização", diz ela, ressaltando que as empresas que investem no tema são mais inovadoras, produtivas e competitivas globalmente.
E, por diversidade, pode-se compreender desde nacionalidade, raça, classe social, gênero, aparência, refugiados, religião, pessoas com deficiência, abuso de droga e álcool, LGBTQ (lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e queers), entre outros. "A abordagem deve ser sempre inclusiva", afirma o especialista no assunto Reinaldo Bulgarelli, da Txai Consultoria e Educação.
De acordo com ele, o interessante é focar em segmentos que se encontram ausentes ou em situação de vulnerabilidade dentro da corporação. Sendo assim, ao invés de apenas melhorar o desempenho da empresa em relação à demografia interna, deve-se considerar as condições para que todos se desenvolvam, como, por exemplo, as mulheres que retornam da licença-maternidade.
Em Londrina, uma experiência positiva vem da Visualitá, empresa de design gráfico. Cintia Uchimura trabalha como secretária e, durante o expediente, não deixa de atender às necessidades da filha Ayla, de 7 meses. "Quando terminou minha licença-maternidade, trouxe o berço no trabalho e ela (Ayla) fica o tempo todo comigo. A adaptação foi super tranquila", conta ela, reconhecendo que essa oportunidade, que ainda é inviabilizada na maioria dos ambientes corporativos, é encarada com estranheza pelas pessoas. "Todo mundo diz que sou uma sortuda e me perguntam se sou proprietária, por ter essa abertura", revela.
A empresa é conduzida pelas sócias Cristina Thomé e Elisabete Yunomae, que diante da gravidez de Cintia, tiveram uma reação imediata quanto às necessidades da criança. "Tivemos uma pequena mudança em termos de espaço, mas fazemos o que está dentro de nosso potencial. Retornar ao trabalho é, naturalmente, um momento de fragilidade para as mães e pensamos muito nisso. Hoje, vemos que todos ganham. Desde o clima, que perde a rigidez, até em termos de produtividade", observa Elisabete.

SERVIÇO
A cartilha de diversidade está disponível no http://migre.me/tDTIU

mockup