Convivência entre patrões e empregados domésticos dentro de casa pode ser cheia de extremos. Há aqueles que conseguem manter relação respeitosa e harmoniosa; por outro lado a experiência pode ser de grande estresse para ambas as partes. Postura mais profissionalizada do trabalhador e comportamento neutro estão sendo cada vez mais exigidos.

Para a empresária Vera Moraes, acostumada a treinar candidatas a babá, o melhor trabalhador doméstico é aquele que, de certa forma, torna-se ''invisível'', ou seja, cumpre suas obrigações sem interferir na rotina familiar.

''Ter um empregado em casa durante 24 horas não significa que ele esteja a disposição durante todo esse tempo. Por outro lado, mesmo morando no emprego, o empregado não deve se sentir integrante da família, dando palpite nos problemas e conflitos'', diz.

Para manter uma relação harmoniosa, Ilva Vieira, que há dez anos trabalha na casa da oficial de Justiça Jaqueline Miloso, diz que não se ''intromete'' nas relações da família.

''Procuro não misturar as coisas. Não tomo decisões que não cabem a mim, afinal de contas aqui é o meu trabalho e eu tenho minha casa. Não posso invadir o espaço deles'', comenta. Apesar da postura mais neutra, ela revela ter amizade com a patroa.

Jaqueline reforça dizendo que a relação com a funcionária não é fria. ''Levamos em consideração a experiência de vida dela. Sempre que possível, ela é chamada para partilhar de nossas decisões, ou até mesmo para ouvirmos sua opinião. Mas ela é chamada por nós. Ela sabe ser discreta e ajudar sem ser espaçosa; temos uma relação de muito respeito'', diz.

Discrição também é a palavra-chave para a governanta Rosimeri Kronbauer, que está há um ano e quatro meses trabalhando em uma casa de família. ''Quando era mais nova tinha dificuldades em separar as relações de amizade e de trabalho. Com o tempo, fui amadurecendo e vi que era necessário manter uma postura mais profissional.''

Contudo, ela afirma que é impossível não estabelecer uma relação de confiança. ''É importante termos uma relação harmoniosa, mas não posso misturar os problemas deles com os meus. Passo a maior parte do meu dia no trabalho, e por isso é impossível não estabelecermos uma amizade. Mas, temos que ter em mente que não podemos criar vínculos profundos. Tudo isso é trabalho'', avalia.

Educação
Por passarem muito tempo com as crianças, babás e empregadas tendem a ser um ponto de refúgio durante uma bronca materna. Vera Moraes dá a dica: a profissional precisa corrigir a criança e nunca interferir nas decisões da mãe.

''Hoje, temos babás formadas em psicologia ou pedagogia e podem discordar dos métodos de educação da mãe. Nesse caso, o melhor é a profissional conversar com a mãe usando muita cautela, explicando que aprendeu de uma outra forma, se isso poderia ser testado na educação'', aconselha.

Em relação aos filhos da patroa, Ilva revela que ajuda nos cuidados. ''Mas a educação fica sob a responsabilidade da mãe'', acrescenta. E o mesmo faz Rosimeri. ''Falo para eles o que a mãe me pediu, porém, de forma alguma posso mandar ou obrigá-los a fazer algo. Eu não decido nada. Eles têm que respeitar a decisão dos pais, acima de tudo.''

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