Pare, reflita, viva, cresça
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domingo, 27 de setembro de 2009
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Período sabático é aquele tempo em que o profissional se afasta do serviço, com objetivo de descansar, levar adiante projetos pessoais ou buscar aperfeiçoamento, muitas vezes no exterior. No ambiente de pressão e competitividade do mercado de trabalho atual, não são raros os que recorrem a essa alternativa.
O empresário André Iark, 35 anos, passou por um período sabático de seis meses em 2003. ''Estava há nove anos na Volvo. Trabalhava na área de suporte à engenharia, algo bastante especializado. Conversei com meu superior e falei que tinha o plano de viajar. Não escondi nada, fui bem aberto sobre o que planejava fazer, e ele aceitou'', diz. Segundo ele, o período não foi remunerado.
O empresário foi para Auckland, na Nova Zelândia, onde fez especialização em gerenciamento. Mas seus objetivos iam muito além de buscar qualificação profissional. ''Desde o planejamento, da decisão tomada, era um desafio. Queria o mínimo de contato com amigos e família. Queria aprender a me virar. Nunca tinha morado sozinho antes. Era algo que ia além dos estudos. Foi um 'insight', uma coisa de saber o que queria fazer da vida'', diz o empresário. ''A parte fundamental foi o lado pessoal, do espírito.''
Vontade semelhante fez o consultor Deni Belotti, 49 anos, afastar-se do emprego durante um ano. ''Vinha trabalhando desde 1983. Comecei como trainee de marketing na Souza Cruz. Fui ocupando cargos na área e me tornei consultor. Era muito trabalho, fazia muitas viagens. Não vi meus filhos crescerem. Estudei também teologia, virei pastor e isso era outra coisa que me tomava tempo. No final de 2005, terminei um projeto e decidi ficar um ano sem trabalhar no mundo corporativo'', explica Belotti.
''Passei um ano em uma igreja norte-americana, como voluntário, em um trabalho que chamei de 'monitoriamento'. Ajudava pessoas a buscar saídas, aconselhava com base na minha experiência, de alguém que é pastor, mas que ao mesmo tempo também havia passado pelo ambiente corporativo. Isso me deu luz em relação ao que fazia e ao que faço hoje. Em 2007, voltei ao mundo corporativo, mas não mais como consultor 'full time'. Faço projetos de curta duração. E também faço um trabalho voltado para orientação, em ONGs, igrejas, para ajudar pessoas'', afirma o consultor.
Após seu período sabático, André Iark voltou para a Volvo, em Curitiba. ''Depois de seis meses me desliguei para trabalhar em uma unidade da empresa em Maryland, nos Estados Unidos. Lá, além do idioma, percebi como o período em Auckland foi importante para mim. Há uma grande diversidade cultural na Nova Zelândia: tive contato com asiáticos, europeus, africanos. Com essas diferenças, você aprende a ser mais flexível, a se adaptar, a aceitar mais outras pessoas, ideias e comportamentos'', diz o empresário, que no início deste ano deixou a multinacional para dirigir uma central de serviços para caminhoneiros, a Cargo Shop.


