Paranaenses criam sistema que monitora qualidade de ambientes de trabalho


Juliana GonçalvesEspecial para a FOLHA
Juliana GonçalvesEspecial para a FOLHA
Paranaenses criam sistema que monitora qualidade de ambientes de trabalho
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Sistema pode ser ajustado conforme a necessidade da empresa; sensores monitoram temperatura, umidade do ar, intensidade sonora no ambiente, presença de produtos químicos, poluição e partículas de poeira



O local de trabalho é onde as pessoas passam boa parte da sua vida e, por isso, tem grande influência em sua saúde e qualidade de vida. A maioria das empresas, até por conta de legislações específicas e questões de produtividade, tem se preocupado em proporcionar um ambiente saudável e seguro para seus funcionários. Foi pensando nesse nicho de mercado que um grupo de alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) de Curitiba desenvolveu uma ferramenta capaz de monitorar constantemente as condições do ambiente de trabalho, a fim de mantê-lo adequado à saúde das pessoas, atendendo às Normas Regulamentadoras Brasileiras.
Todo ambiente, seja ele de trabalho ou doméstico, oferece algum tipo de risco às pessoas. Segundo a enfermeira Julia Trevisan Martins, que coordena o Núcleo de Estudos de Saúde do Trabalhador da Universidade Estadual de Londrina (NUESTUEL), todo risco físico, biológico, psicológico pode trazer prejuízos à saúde do trabalhador. "Nenhum ambiente de trabalho consegue estar totalmente isento de riscos, mesmo seguindo as normas e utilizando EPIs (equipamentos de proteção individual)", afirma.
Daí a importância de buscar formas complementares de prevenção desses riscos, para que a redução de danos no ambiente de trabalho seja cada vez maior. "É importante agregar novas maneiras de prevenção. Até porque, muitas vezes, o próprio funcionário não faz a sua parte, não usa o EPI, por exemplo", argumenta.
Uma novidade que pode cumprir, num futuro próximo, esse papel agregador é o chamado avaliador de qualidade do ambiente de trabalho. A ferramenta foi desenvolvida por Allan Patrick Souza, Tomas Abril e Derick Assunção, alunos dos cursos de Engenharia da Computação e Sistemas de Informação. A motivação inicial foi um concurso promovido pela Telit, multinacional italiana especializada em internet das coisas – processo que pretende conectar todo o mundo físico à rede mundial de computadores. A Telit Cup Brasil premia anualmente um projeto de tecnologia desenvolvido por estudantes, incentivando o desenvolvimento de startups de inovação.
O projeto do avaliador nasceu como uma solução para as empresas que entendem que o ambiente afeta diretamente o rendimento dos trabalhadores. "Nós percebemos que seria uma ferramenta muito útil para empresas. Elas estão cada vez mais preocupadas com a qualidade do ambiente porque isso tem reflexos na produtividade. O funcionário tem menos problemas de saúde, falta menos ao trabalho", argumenta Allan Patrick Souza.

FUNCIONAMENTO
Segundo ele, o avaliador é capaz de monitorar diferentes componentes de um ambiente. A solução é viabilizada por meio de um hardware que monitora os índices apontados, via internet, por sensores instalados no local, permitindo avaliações constantes e também o armazenamento das informações. "O protótipo que apresentamos no Telit Cup era voltado para escritórios. Então, os sensores indicam temperatura, umidade do ar, intensidade sonora no ambiente", explica.
Mas o universitário garante que a ferramenta pode ser adaptada para indústrias, hospitais, laboratórios ou qualquer outro tipo de ambiente. "Fazendo uma avaliação das condições de cada empresa e dos riscos específicos dos ambientes, a ferramenta pode ser adaptada para monitorar, por exemplo, a presença de produtos químicos, poluição, partículas de poeira. Vai ser um produto bastante flexível", garante Souza.
Ele fala assim, no futuro, porque passado o concurso, e mesmo sem a premiação, o objetivo e aperfeiçoar o produto e torná-lo comercialmente viável. "Nós tivemos um feedback muito bom, o projeto foi muito bem avaliado enquanto inovação tecnológica. Precisamos agora de parcerias para viabilizá-lo", argumenta.


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