Entre 2016 e 2025 foram 500.946 acidentes e 1.865 mortes causadas por acidentes de trabalho. Esses são os números que colocam o Paraná como o 4º estado com mais registros de acidentes de trabalho de acordo com dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado hoje, esses números representam ocorrências que poderiam ser evitadas com prevenção, conhecimento e profissionais qualificados para identificar riscos.

“A partir do momento que você tem o conhecimento, consegue prevenir muitos acidentes”

Jéssica Resende tem 26 anos, trabalha como operadora em uma indústria e é integrante da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), experiência essa que a fez enxergar a segurança do trabalho com outros olhos.

“Até os 25 anos eu não sabia o que faria da minha vida. Depois que me matriculei no Curso Técnico em Segurança do Trabalho, tenho certeza do que quero”, conta.

O que a aluna do Senai não esperava era o quanto o curso transformaria também sua rotina fora da indústria. “Hoje eu consigo identificar riscos na indústria e até mesmo na minha casa, que eu não fazia ideia que era um risco. É um divisor de águas em todas as áreas da vida.”

Para Jéssica, o aprendizado das normas regulamentadoras foi o que conectou teoria e prática de forma mais concreta. “A partir do momento que você tem não só o conhecimento dos riscos, mas também conhece um pouco das normas regulamentadoras, você consegue aplicar isso no seu dia a dia. É ergonomia, é celular, é tudo. E você percebe o quanto a gente previne acidentes.”

Ela já sabe para onde quer ir: ser técnica de segurança do trabalho e, mais à frente, engenheira ou auditora da área. O curso não apenas abriu portas, apontou o caminho.

Uma profissão que o mercado não para de pedir

Marili Angelo Lopes conhece o Curso Técnico em Segurança do Trabalho por todos os ângulos possíveis: foi aluna, atuou no mercado e hoje é professora da formação no Senai Paraná.

“O mercado de trabalho está crescendo em relação à necessidade desse profissional”, afirma Marili. E ela explica por quê: “Com as atualizações das normas regulamentadoras, exige-se cada vez mais que as empresas tenham esse profissional com conhecimento para aplicar as ações que as normas pedem, fazendo com que a empresa fique dentro da legalidade e, consequentemente, que o trabalhador fique mais seguro”.

Essa atualização normativa ganha ainda mais urgência em 2026. Isso porque, a partir do próximo mês, a nova redação da NR-01 passa a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais, como pressão por metas, sobrecarga e conflitos no ambiente de trabalho, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Pela primeira vez, a saúde mental dos trabalhadores passa a integrar oficialmente o mapa de riscos ocupacionais das empresas.

Não se adequar tem custo: multas administrativas, notificações da fiscalização e, em casos mais graves, ações trabalhistas. Profissionais que dominam as normas regulamentadoras e sabem aplicá-las na prática nunca foram tão necessários.

Prática desde o primeiro dia

No Senai, o Técnico em Segurança do Trabalho aprende fazendo. E Marili faz questão de que assim seja. Entre as experiências vivenciadas pelos estudantes estão treinamentos de primeiros socorros, combate a incêndio, avaliações de higiene ocupacional e práticas de trabalho em altura.

“Por exemplo, nós temos uma parceria com um campo de treinamento para combate a incêndio. Os alunos fazem a prática do uso do extintor, a montagem da linha de hidrante com as mangueiras. Têm acesso à casa de fumaça, realizam atividades práticas em trabalho em altura, aprendem a vestir o cinto e a verificar todos os itens obrigatórios de segurança”, descreve a professora.

Além disso, os alunos aprendem a utilizar equipamentos de higiene ocupacional para medir e avaliar condições ambientais, como ruído, temperatura, agentes químicos, e a propor medidas de proteção adequadas à realidade de cada empresa. A carga prática do curso prepara o profissional para agir desde o primeiro dia no mercado.

Essa combinação entre teoria, normas e prática é o que faz a diferença. Não por acaso, no Paraná, 86,9% dos egressos dos Cursos Técnicos do Senai estão empregados, segundo a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos 2023–2025.

Uma carreira com futuro garantido, e cada vez mais exigida

O Técnico em Segurança do Trabalho pode atuar em indústrias, hospitais, construção civil, portos, aeroportos, logística, comércios e empresas de todos os portes. No Paraná, a remuneração média varia entre R$ 4.000 e R$ 5.000, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2025, podendo ultrapassar esse patamar conforme o porte da empresa e a experiência acumulada.

E com a Indústria 4.0 avançando sobre os ambientes de produção, o papel desse profissional não diminui: se expande. Novas tecnologias, como automação, inteligência artificial e sistemas digitais de monitoramento, aumentam a eficiência das indústrias e também exigem novas formas de prevenção de riscos. São novos perigos para identificar, novos dados para interpretar, novos processos para tornar mais seguros. (Com informações da Agência Fiep de Notícias)

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