Para entidades, medida não resolve problemas
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) divulgou nota esta semana reiterando seu repúdio "à forma com que o governo federal tem tratado a saúde no Brasil". Segundo o texto, a "ação midiática e eleitoreira criada na divulgação do plano Mais Médicos somente demonstra o descompasso do atual governo com as reais necessidades da população". Para o CRM-PR, os ministros e a presidente perderam uma ótima oportunidade para declarar à nação um plano que efetivamente resgate o acesso e a qualidade da assistência à saúde.
"A sociedade brasileira merece mais respeito, especialmente os mais vulneráveis e desassistidos. A superlotação das unidades de atendimento, a falta crônica de materiais, a falta de leitos hospitalares e de UTI demonstram claramente a ausência de planejamento em saúde, pois o crescimento populacional é muito maior que a adequação dos estabelecimentos", diz a nota, que também aborda a importação de médicos. "A vinda de profissionais formados no exterior sem a regularização do diploma, por meio da prova do Revalida, contraria qualquer senso de responsabilidade que se espera de um gestor público."
O Conselho Federal de Medicina também criticou o plano do governo. Segundo o presidente da entidade, Roberto Luiz dÁvila, as medidas não resolverão o problema da saúde no Brasil, que precisa de mais qualidade e não mais quantidade. "É um programa vazio e sem consistência, onde faltou a solução definitiva, e não medidas paliativas e eleitoreiras", disse o médico. Dávila afirmou que o atendimento não vai melhorar nos próximos anos com o aumento de médicos.
Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que o governo federal está "muito seguro" da validade jurídica do Programa Mais Médicos. Ele rebateu críticas feitas por entidades médicas. "Não só o Ministério da Saúde, a AGU (Advocacia-Geral da União), a Casa Civil e todos os ministérios envolvidos estão muito seguros da constitucionalidade das medidas. Agora, o momento é o do debate no Congresso (Nacional). Quem tiver propostas diferentes para levarmos mais médicos à população brasileira apresente-as e vamos debater no Congresso. Não venham tentar cercear o debate e as medidas que o governo federal está tomando para resolver um problema grave no Brasil, que é ter médicos perto da população", disse Padilha, ao apresentar os dados regionais do programa.
O ministro também disse que a criação do segundo ciclo do curso de Medicina vai ajudar os médicos formados no Brasil a ter uma visão mais humanista e a não depender tanto de "máquinas e equipamentos" para atender os pacientes. "O que acontece hoje é que, nos dois últimos anos de seu curso, o estudante já está sendo apresentado à especialidade, preocupado com a residência que vai fazer, antes de se tornar um médico integral, de ter uma visão geral, de ser um médico mais humano, que conheça o paciente como um todo e não só pedaços do paciente", disse. (S.L.)





