Rubens Juvenal de Souza Kyosen, 28 anos, é surdo profundo e foi o primeiro portador de deficiência a trabalhar na Atlas Schindler.

Quando chegou à empresa para a entrevista um clima de apreensão pairou no ar. ''Na época não tínhamos intérprete. Apesar do Rubens ser oralizado por ter passado por tratamento fonoaudiológico por toda infância, eu tinha dificuldade de me comunicar com ele. Peguei uma folha de papel e comecei a escrever. Para minha surpresa ele respondeu escrevendo de ponta cabeça para que eu pudesse ler. Foi quando pensei: se uma pessoa com deficiência raciocina dessa forma para se comunicar, imagina o que ele fará para trabalhar'', conta Ana Lígia Cérere, analista de RH da empresa.

Há cinco anos ele atua com montagem de portas dos elevadores. Mas o início não foi fácil. ''Eles não me entendiam por não saber LIBRAS e eu não entendia porque falavam muito rápido e não olhavam para mim'', lembra Rubens.

Mas os problemas e esforço do passado hoje são traduzidos em satisfação pessoal. ''Pensei que fosse ter preconceito, mas não teve, a única dificuldade foi mesmo a da comunicação, mas eu ensinei LIBRAS à eles (os colegas de trabalho), que também aprenderam que para se comunicar comigo precisariam falar pausadamente e olhar nos meus olhos. Hoje tiramos de letra.''(K.A.)

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