Os prós e contras do formal e do freelancer
Para professora Aurora Fernandes, das disciplinas de Psicologia Organizacional e do Trabalho, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a questão do trabalho, seja ele formal ou autônomo não deve ser analisada do ponto de vista simplista, tem que ser abordada do ponto de vista social, econômico, psicológico.
Os trabalhadores que buscam um emprego formal hoje, de acordo com Aurora, são os mesmos que no passado foram excluídos do sistema educacional, pela necessidade de trabalhar. ''A exclusão gera uma desqualificação e esse trabalhador precisa de um emprego e se submete a regras, horários e padrões criados pela CLT'', argumenta. A vantagem do trabalho formal, de acordo com Aurora, é que ao final do mês esse indíviduo tem um salário fixo que lhe garante sustento, consequentemente, uma tranquilidade. ''Mesmo que o salário percebido não seja o justo'', diz.
A desvantagem desse trabalhador quando adentra ao mercado formal de trabalho está implicita, segundo a especialista, em elementos humanos muito importantes que são deixados de lado. ''Ele deixa de ter controle sobre sua vida, não tem autonomia sobre suas atividades, segue um sistema já imposto, o que pode ocasionar um sofrimento psicológico muito grande, que pode se transformar num adoecimento. Dependendo da forma e do ambiente de trabalho em que participa, esse funcionário pode ter a morte simbólica de sua personalidade, quadros de depressão e outras síndromes relacionadas ao trabalho'', analisa.
Já um freelancer, em sua opinião, tem a vantagem de ter um controle sobre suas atividades, liberdade de horários, e na forma como conduz seu trabalho. E, por outro lado, está totalmente desamparado. Não tem remuneração fixa, auxílio saúde, FGTS, entre outros'', compara. ''O desamparo social que esse trabalhador tem na informalidade pode representar um peso muito maior do que sofrer a exploração do mercado formal de trabalho'', diz. (K.A.)





