O administrador Marco Pacheco trocou o trabalho como executivo pelo empreendedorismo aos 51 anos
O administrador Marco Pacheco trocou o trabalho como executivo pelo empreendedorismo aos 51 anos | Foto: Ricardo Chicareli - Grupo Folha

Escolher a profissão é um desafio para os jovens que chegam ao mercado de trabalho. A vocação, os sonhos e o salário costumam pesar na decisão. Mas, com o passar dos anos, outros questionamentos surgem. Já experientes, muitos profissionais repensam sua colocação e os planos para o futuro. A ocupação atual já não atende às necessidades e as insatisfações aumentam em meio à volatilidade na economia e as muitas transformações que as indústrias enfrentam. É quando a busca por um plano B se torna uma opção.

No entanto, pedir demissão e jogar tudo para o alto ou apostar todas as economias em um projeto novo não são opções recomendadas pelos especialistas. É preciso fazer planejamento, ter conhecimento e resiliência para enfrentar a construção de um novo perfil profissional. Decidir pela mudança é uma forma de evitar ser pego desprevenido pelo desemprego, mas como começar o processo? Segundo a consultora de recursos humanos Andréa Gautè, olhar para si mesmo é o primeiro passo. “É preciso fazer um resgate do autoconhecimento. Muitas pessoas se deixam ser levadas pela vida, mas é preciso perguntar a si mesmo o que se quer. O que traz felicidade”, aponta Gautè, que é vice-presidente da ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos – Paraná).


Foi exatamente o que fez o administrador Marco Pacheco, 51, quando a empresa em que trabalhava fechou as portas. Após mais de uma década atuando como executivo responsável por projetos da companhia, ele decidiu realizar um antigo desejo: ter seu próprio negócio. Antes de colocar o plano em prática, decidiu buscar a ajuda especializada de um coach. “Eu já tinha os recursos financeiros, estava acostumado a fazer projetos, mas achei importante ter uma ajuda para o planejamento e foi bastante útil”, explica Pacheco, que há aproximadamente dois meses inaugurou o coworking State Offices, na Gleba Palhano. A chance de trabalhar com o próprio negócio trouxe para ele uma enorme satisfação. “A ideia do compartilhamento do ambiente de trabalho é uma tendência que já me chamava a atenção há bastante tempo. Acredito que este seja o caminho que grande parte dos profissionais vão tomar”, aposta Pacheco. O empreendedorismo, inclusive, parece ter se tornado a vocação do administrador. Tanto que ele já começou a trabalhar em outros dois novos negócios. “Quero me dedicar a uma startup, a qual eu já era apoiador, assim como estou estudando um novo negócio no ramo de veículos alternativos”, adianta.


A escolha profissional tem um caráter que não deve ser desprezado: o psicológico. A vocação é formada por influências emocionais, que são construídas junto com a identidade de cada indivíduo. Por esse motivo, a escolha sobre o que fazer como trabalho não deve ser feita somente com o olhar de interesse sobre as tendências apontadas pelo mercado de trabalho, conforme afirma a doutora em Psicologia, Rosemari Schmidt Almeida, professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina). “Não se pode escolher a profissão pelo momento. O mercado é extremamente volátil. Muitas vezes, quando a pessoa se torna pronta para atuar, as tendências já mudaram”, diz Almeida. Um conselho que parece básico, no entanto, é extremamente eficaz. “Pode parecer algo muito simples, mas o melhor conselho é fazer o que se gosta. Esta é uma realidade. Porque a realização pessoal faz com que as pessoas criem possibilidades e tenham a criatividade mais aguçada”, explica a especialista. Apesar de parecer algo simples, a psicóloga afirma que o amadurecimento profissional em média acontece aos 42 anos. “Por isso, é comum que nesta fase muitas pessoas decidam mudar. Qualquer profissão depende de muita dedicação, determinação e persistência. Muitas vezes, o que a pessoa precisa não é virar a vida de cabeça para baixo, mas simplesmente falta um apoio psicológico para reajustar o rumo”, diz.


Outro importante fator que deve ser levado em consideração em meio às indefinições sobre qual atitude tomar é ouvir a experiência dos pares. Com o intuito de promover tais encontros, a rede social criou a Central de Aconselhamento Profissional, uma ferramenta gratuita para todos os usuários que têm como objetivo promover uma troca de conhecimento. Basicamente, os usuários dispostos a entrar em contato são selecionados por um algoritmo que tem a capacidade de avaliar se o profissional tem perfil para ser mentor ou mentorado. Para usar, basta acessar o hub da ferramenta e inserir as preferências para o tipo de conselho que deseja dar ou receber. A rede recomenda, toda segunda-feira, três usuários com base em interesses mútuos e experiências profissionais. Ao encontrar uma correspondência, o usuário é alertado e pode enviar uma mensagem para iniciar uma conversa. Atualmente, a rede já conta com 212 mil mentorados e 95 mil mentores, sendo 36 milhões de usuários no País. “A nossa ideia é fomentar o networking e ajudar no desenvolvimento profissional. Para profissionais que buscam o primeiro emprego também é fundamental, assim como ajuda aqueles que desejam fazer mudanças na carreira. Acredito que seja uma experiência importante”, conclui Ana Plihal, diretora de soluções de talento do LinkedIn para o Brasil.

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