Olha o salgado! Lá vai a Jaqueline...
Num dia sim e no outro também, lá vai Jaqueline Silva Azevedo empunhando um carrinho de compras pelas ruas, vielas e ladeiras do Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste). Enquanto mantém o apetite diário de vender os mais variados tipos de salgados feitos na cozinha de casa, alimenta o sonho de um dia abrir uma lanchonete no bairro. Faça chuva ou faça sol, a rotina começa às 7h30, quando começa a visita aos primeiros clientes, e só termina durante a novela das nove. Além dos vizinhos, a cozinheira, que já comeu o pão que o diabo amassou, tem uma clientela fiel em cinco empresas instaladas às margens da BR-369. E aí a entrega é feita em uma Honda Bizz que ela tirou zerinho da concessionária, há um ano, fruto do trabalho braçal.
Na lista de exemplos bem-sucedidos de microempreendedores individuais que passaram por cursos de capacitação e por programas de incentivo à micro e pequena empresa (veja box), Jaqueline é a número um. Abriu firma, formalizou a atividade de ambulante autônoma e conseguiu a liberação de uma carta de crédito de R$ 3 mil na Agência de Fomento do Paraná para investir em maquinário. Sua primeira e única aquisição, por enquanto, foi uma fritadeira industrial que lhe permite triplicar a produção diária dos salgados e vender uma média de 70 a 80 quitutes por mês.
"Eu me sinto muito feliz, muito realizada. Tive uma infância difícil, passei fome, cresci tendo a oportunidade de entrar no mundo das drogas, mas fui atrás do que eu queria e sempre trabalhei muito para conseguir", afirma. Aos 28 anos, prestes a se casar, ela vai preparando o terreno para expandir sua atividade. "Comprei uma casa maior aqui mesmo no bairro e lá vou instalar minha própria lanchonete. Só que para isso preciso de mais equipamentos industriais. Quero ver se consigo R$ 15 mil do Fomento Paraná e juntar mais R$ 10 mil para comprar o maquinário necessário", projeta.
O início, em 2012, foi surpreendente. Logo no primeiro dia em que foi às ruas, matou a fome de muita gente. "Não venci de tanto vender. Vendi mais de R$ 200", conta. Seu maior público, diz Jaqueline, são as crianças. As mães acabam comprando por tabela porque aprovam o sabor das iguarias e a perseverança da vendedora, virtude inerente a todo bom empreendedor. "A Jaqueline é uma guerreira", testemunha a vizinha Simone Aparecida Santos, cliente diária. Enquanto sobe as ladeiras e se despede da reportagem, Jaqueline avisa: "Não quero mais ser micro não, quero ser empresa, ter meus próprios funcionários, se Deus quiser. Olha o salgado!". (D.P.)





