Curitiba - Da graxa para o computador, o perfil dos mecânicos de veículos mudou muito nos últimos anos. Esqueça a imagem do trabalhador de macacão sujo, da oficina bagunçada com calendários de mulheres nuas nas paredes. O novo profissional usa camisa sempre limpa por dentro da calça comprida, entende de computação e inovações tecnológicas e ainda conhece os princípios básicos de marketing e de um bom relacionamento com o cliente.
"O perfil do mecânico do futuro é evidenciado com a chegada da eletrônica embarcada e carros híbridos e elétricos no Brasil", explica o coordenador técnico da área automotiva do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da unidade Boqueirão, em Curitiba, professor Adilson Aparecido Torquetto. Tanto que o Senai, que oferece cursos técnico, de qualificação e aprendizagem nesse área, não trata mais o profissional como mecânico, mas como eletromecânico automotivo.
Segundo o docente, o bom eletromecânico automotivo é aquele que busca o conhecimento técnico (cursos profissionalizantes), trabalha em equipe, está sempre uniformizado e em um ambiente limpo e organizado. Ele sabe diagnosticar defeitos do carro e passar para o cliente as informações de uma maneira simples. "Tem que ter a capacidade de adaptação a novas tecnologias, ser versátil e entender de mecânica, eletricidade e informática", afirma. E com a entrada no mercado brasileiro dos veículos híbridos e elétricos, novos cursos tornam-se obrigatórios a partir de agora, lembra Torquetto. "O eletromecânico automotivo deverá ter como pré-requisito em sua formação o conhecimento da NR10, que trata da segurança em instalações e serviços em eletricidade e cursos específicos desses veículos", avisa.

PASSADO E FUTURO


Mas não se pode esquecer que os veículos que antecederam as novas tecnologias também precisam de manutenção. Isso quer dizer que o "novo mecânico" precisa ter um pé no passado e outro no futuro. Afinal, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a idade média da frota circulante de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus é de oito anos e oito meses. Os dados são de 2014 e nesse ano a frota nacional de veículos chegou a 41,5 milhões de unidades. O Paraná tem a terceira maior frota do Brasil. No ano passado, segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), o número de veículos em circulação no Estado chegou a 6.489.289 (carros, motos, ônibus e caminhões). Ficamos atrás de São Paulo (25,7 milhões de veículos) e Minas Gerais (9,4 milhões). Curitiba tem um quarto da frota estadual, com 1.406.049. Em seguida está Londrina, com 357.795, e Maringá, com 297.717.
São números que apontam para um bom campo de trabalho. "As oficinas estão bem de serviço", comenta Torquetto. O salário varia e muita gente já deve ter ouvido que um bom mecânico ganha tanto quanto um médico por hora trabalhada. "Não é bem assim", diverte-se o professor. Segundo ele, o salário médio mensal de um eletromecânico automotivo está entre R$ 1.600 a R$ 2.500 por oito horas/dia de trabalho. Em concessionárias, a média salarial gira entre R$ 2.000 e R$3.000, podendo subir ainda mais, dependendo da empresa. Torquetto conta que um ex-aluno do Senai que abriu uma oficina própria chega a ganhar R$ 8.000 por mês.

mockup