Patrícia Betetto se formou na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em Educação Física em 2005, com 24 anos, e saiu satisfeita com a carreira que tinha escolhido. No entanto, hoje é técnica em Seguro Social do INSS de Rolândia (Norte), nomeada no final de 2013, e não pretende regressar à antiga carreira. O que fez a jovem, hoje com 33 anos, a mudar totalmente de rumo e buscar um emprego público foi, principalmente, a estabilidade de horário – para ter tempo de cuidar da família.
Quando começou a estudar, ela era casada mas ainda não tinha filhos. Hoje, com um filho de cinco anos e outro a caminho, a opção pela carreira pública se mostrou acertada. "A minha área de formação é bacana, o mercado é amplo, mas para ser bem sucedido você não pode se preocupar com horário fixo. Como queria ter tempo para cuidar dos meus filhos e não queria parar de trabalhar, optei pelos concursos".
Ela começou a estudar quando o primogênito tinha um ano e meio, e conta que teve muita dificuldade para conciliar os estudos com a rotina familiar. "O mais difícil é deixar de dar atenção à família e amigos. Quando voltei a estudar para prestar as provas, meu filho necessitava de muito tempo e atenção. Meu marido teve que tapar esse buraco e ainda ficar sem minha atenção também". E não somente em casa, mas a rotina social mudou muito. "Deixei de fazer muita coisa legal com os amigos, mas faz parte".
Sobre a maior dificuldade que enfrentou com os estudos, ela reforça o fato de ter que estudar matérias que ela não tinha nenhum conhecimento prévio, como Direito e Economia. "O pior é estudar o que você não gosta. O tempo, quando se tem vontade e está decidido, você acha. Afinal, o que se faz da meia noite às seis? A verdade é que muitas horas das minhas madrugadas ficaram para os estudos". Mas ela reforça um conselho de quem já prestou muitas provas: "O cérebro também precisa descansar pra assimilar o conteúdo, senão é tempo perdido. Equilíbrio é tudo".
No início da vida de "concurseira", ela teve ajuda de um cursinho preparatório, por seis meses, mas depois resolveu estudar em casa, assistindo aulas na internet e com ajuda de apostilas. A recompensa por todo o esforço veio na aprovação em quatro concursos: Agente Penitenciário, Correios, CMTU e INSS. "Estou muito satisfeita com a nomeação no INSS. Trabalho seis horas por dia e atingi meu objetivo, de ter tempo para me dedicar à família". (P.B.O.)

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