A procura por concursos públicos aumentou consideravelmente nos últimos anos, pelo menos se for levado em conta o movimento nos cursos preparatórios. Em 2012, o Brasil criou em torno de 38 mil vagas por meio de concurso público, levando pelo menos 12 milhões de pessoas a se inscreverem em algum cargo. Mas quem opta por entrar no funcionalismo público precisa escolher bem a função que irá exercer e não pensar apenas no salário, estabilidade e aposentadoria integral, opinam especialistas.
Para o Procurador do Estado do Paraná, Clesius Alexandre Duran, a carreira pública pode ser encarada como um sacerdócio e é preciso muita abnegação para cumprir com as tarefas. Portanto, ele acredita que os futuros postulantes a um cargo precisam estar preparados para o trabalho e observarem se realmente estão no caminho certo.
''O concurso público pode ser visto como a chance de todos os cidadão ingressarem na carreira e ao mesmo tempo como uma forma de selecionar os melhores'', diz. Segundo ele, o candidato tem que ter em mente que trabalhará para o bem público e não apenas pensar nos vencimentos ou benefícios, porque se for apenas isso, haverá uma frustração muito grande'', completa.
O procurador acredita que a corrida por cargos no serviço público cresce exatamente por causa dos benefícios, como a estabilidade. ''As demissões só ocorrem em caso de quebra do regimento''. No entanto, ele acrescenta que as promoções dentro da carreira nem sempre são satisfatórias ao contrário da iniciativa privada.
O professor de sociologia no curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ronaldo Baltar, tem uma visão um pouco diferente. Ele acredita que a chance de progressão na carreira de um funcionário público é maior que na iniciativa privada. ''Na iniciativa privada a carreira nem sempre tem essa garantia. No funcionalismo público, se o profissional entra em um setor que tenha um plano de carreira definido, certamente chegará nos últimos estágios caso cumpra as metas'', diz.
Os salários de servidores públicos também costumam ser atraentes. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os valores são acima da média nacional. A massa salarial dos trabalhadores no país, de acordo com a última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2010, ganha R$ 1.742 por mês, em média. Trabalhando para o governo, o valor do salário sobe para aproximadamente R$ 2.458, uma diferença superior a 41%.
O sociólogo afirma que, mesmo no funcionalismo público, a renda salarial é mal distribuída, o que explicaria uma série de greves organizadas constantemente por diferentes classes. ''Funcionários que ganham mais estão concentrados, por exemplo, no Legislativo Federal, mas a maior parte dos funcionários do Executivo, das autarquias e das prefeituras recebe menos do que a iniciativa privada'', revela.
Como exemplo, o professor cita os profissionais da saúde. ''Em geral, eles recebem menos do que ganhariam caso atuassem na iniciativa privada. Isso explica também a insatisfação da população com as greves, porque se um profissional da saúde para, a população é afetada diretamente'', argumenta.
Para solucionar o problema das greves e dar um equilíbrio ao setor, Baltar sugere a criação de um plano geral de organização e uma distribuição mais eficiente dos recursos. ''Hoje, o atendimento às reivindicações das categorias é feita no varejo, atende uma aqui, outra ali, quando o ideal é se fazer um planejamento geral'', considera.

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