O difícil caminho para a estabilidade
O desejo de obter a estabilidade e os bons salários da carreira pública faz com que inúmeras pessoas, mesmo graduadas em suas áreas de preferência, mantenham a dedicação ao estudo constante.
No ano em que entrou na faculdade de Direito, Marcel Soares Silva, acumulou uma segunda grande conquista, a de se tornar funcionário público estadual. Com apenas a realização de um curso preparatório, o qual lhe ocupou por cerca de três meses, o jovem conseguiu uma façanha que muitos concurseiros almejam ano após ano: garantir uma vaga como agente penitenciário. Em um universo de 22 mil inscritos para pouco mais de mil vagas, Marcel ingressou na carreira pública, onde permanece atualmente.
Recentemente, ele concluiu a faculdade e já traçou um novo objetivo para sua vida. Dessa vez, seu foco está em conseguir uma vaga no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) como analista judiciário. ''Pretendo galgar posições no funcionalismo público em etapas. Ingressar como analista ou mesmo técnico judiciário e continuar estudando para assumir posições mais relevantes'', comentou.
Para isso, Marcel matriculou-se novamente em um curso preparatório que lhe consome 4 horas de estudo diário. Em casa, ele busca cumprir ao menos duas horas de dedicação às matérias. ''O importante é não perder o ritmo'', orienta.
Dedicação semelhante é vivida pelo profissional liberal Wilson Kaba. Portador de dois diplomas, um em engenharia naval pela Universidade de São Paulo (USP) e outro em Direito pela Mackenzie, Wilson decidiu que sua realização será mesmo na magistratura. ''A gente se prepara para o mercado com tanto afinco mas daí se depara com toda essa instabilidade que começa a valorizar as oportunidades advindas do funcionalismo público'', reflete.
A vida de Wilson é dividida entre as suas obrigações no escritório de advocacia e os estudos para concurso de juiz ou de promotor no Ministério Público. ''Apesar de serem carreiras distintas, ambas são bem valorizadas'', evidencia. Nos últimos quatro anos, o candidato calcula que já prestou 10 concursos em regiões bastante distintas, como Terezina (PI), São Luís (MA), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e Campo Grande (MS).
Além das 6 horas diárias de estudo, é preciso investir em materiais, mensalidades de cursos, inscrições de concurso, viagens, hospedagens e alimentação. ''Creio que gasto R$200 mensais adquirindo livros para me preparar'', calcula Wilson. (M.A.T.)





