O desafio de encarar batalhas diárias
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
A entrada no mercado de trabalho é apenas mais um dos desafios enfrentados por quem apresenta algum tipo de limitação física ou mental. Porém, essa dificuldade vem sendo vencida aos poucos com muito empenho e dedicação de colaboradores com necessidades especiais.
Encarar de frente as batalhas diárias do trabalho tem sido a rotina de Cilsa Aparecida Pereira Leite, que trabalha há quatro meses como auxiliar administrativa na Kurica Seleta Ambiental.
Ela nasceu com má formação em uma das mãos, mas isso não a impede de trabalhar, inclusive utilizando o computador. Em seu segundo emprego com carteira assinada, Cilsa comemora a oportunidade e já planeja um crescimento profissional. ''Quero crecer muito aqui. Os colegas me tratam muito bem e penso em retomar os estudos futuramente'', diz ela.
De rápida adaptação, a funcionária se diz muito feliz inserida no mercado de trabalho e o fato de ter uma renda fixa garantida. Antes de entrar na Kurica, ela trabalhava em uma loja de departamentos na área central.
Ocupando função similar a de Cilsa, Dayane Lima de Souza estava começando na empresa no dia em que a reportagem esteve lá - terça-feira. Por causa da hipóxia neonatal - falta de oxigenação no cérebro durante o nascimento - ela apresenta algumas dificuldades motoras, mas nada que há impeça de trabalhar e sonhar. ''Espero dar o meu melhor aqui. Ter uma chance assim motiva muito'', diz entusiasmada com a nova função.
A analista de Recursos Humanos da Kurica Seleta Ambiental, Thercia Marcondes, defende que, embora aparentemente esses profissionais necessitem de um acompanhamento mais prolongado para executar algumas atividades, têm totais condições de cumprir com as tarefas. Para a analista, o bom desempenho desses funcinários também garantirá a abertura de novas vagas para deficientes na empresa.
''Temos casos de profissionais que se adaptaram às exigências da empresa muito mais rápido do que esperávamos. Respeitando suas limitações, são tratados de forma igual aos demais e correspondem positivamente'', comenta Thércia.
A Santa Casa de Londrina é outra empresa que está procurando se adequar ao disposto na lei 8.213. Dos 1,5 mil funcionários da instituição, 22 apresentam algum tipo de deficiência.A gerente de Recursos Humanos Adriana Carlesso da Silva reconhece que há um deficit - o ideal seria pelo menos 75 colaboradores -, porém informa que estão sendo desenvolvidas parcerias com instituições que atendem esse público específico para captar mão de obra.
''Muitas famílias temem o ambiente do hospital. Recentemente realizamos um encontro com pais e deficientes para mostrar como funciona o trabalho e o resultado foi benéfico'', garante.
Adriana relata que o projeto de inclusão começou há aproximadamente sete anos e alguns participantes da primeira turma continuam trabalhando na Santa Casa. De acordo com ela, apenas as funções que exigem formação técnica, como auxiliar de enfermagem, não são diretamente ofertadas a esse público. ''Como há a exigência de uma formação, precisamos avaliar o currículo. Mas, estamos contratando, no almoxarifado temos alguns funcionários que apresentam deficiência'', explica.


