Houve um tempo em que os trabalhadores, em sua grande maioria, permaneciam boa parte de sua vida no mesmo emprego. Esse era o sonho de todos que começavam em uma empresa. A partir da década de 1990, a realidade e o desejo das pessoas mudaram.

Com a competitividade crescente e o aumento de possibilidades, tornou-se comum funcionários trocarem de emprego algumas vezes durante a vida, buscando melhores salários e condições de crescimento. Agora, no século 21, outro sistema tem se apresentado em destaque. O mercado de trabalho num futuro bem próximo dará muita importância para a prestação de serviços especializados na forma de trabalho temporário.

É o que detectou a 4 Pesquisa Setorial da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) - um levantamento anual realizado sobre serviços especializados e trabalho temporário no Brasil e que corresponde ao período de abril de 2009 a abril de 2010.

Segundo a pesquisa, o número de empresas que utilizam empregados temporários subiu 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, são mais de 900 mil pessoas trabalhando nesse sistema por mês. E julho promete aquecer o mercado com essa realidade. ''Este ano, a expectativa é que sejam criadas 25% mais vagas do que em 2009'', informa o presidente da Assertem, Vander Morales.

De acordo com a estimativa da Associação, 15 mil vagas temporárias deverão ser abertas nesse período de férias. Os dados têm como base o estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), a pedido da entidade. No ano passado, o número de vagas foi de 12 mil.

Morales prevê que a maior parte das contratações será feita pelo setor de lazer e entretenimento, do qual fazem parte parques de diversão, clubes, hotéis, pousadas, acampamentos, bares e restaurantes. ''Serão aproximadamente 10,5 mil vagas em todo o país no setor de serviços, e mais 4,5 mil na indústria e no comércio'', contabiliza.

''A área produtiva está demandando muito pessoal, e este ano passou por um boom de contratações, então há a dificuldade de encontrar profissionais qualificados para todos os níveis, inclusive para o nível operacional (chão de fábrica)'', afirma a gerente de Recursos Humanos Ruth Hayashi, da Capital Recursos Humanos.

A tendência, que representa uma boa notícia para os trabalhadores, segundo ela, é que as empresas usem a mão de obra temporária para futuras contratações efetivas. ''Há grandes chances de um funcionário ser efetivado se ele fizer um bom trabalho'', garante.

O contrato temporário, segundo o advogado trabalhista João Felipe Barros de Albuquerque, dispensa o pagamento de algumas multas recisórias como o aviso prévio indenizável, os 40% da multa do FGTS e o pagamento das multas dos dias faltantes para a recisão do contrato.

O advogado explica ainda que um contrato temporário de trabalho pode ser realizado por no máximo 6 meses. ''No comércio é corriqueiro que o contrato seja feito por 30 dias, renováveis por mais 30, mas ele pode ser de 45 dias e até mesmo de 90 dias prorrogáveis por igual período. Para que o trabalho temporário seja formalizado, ele deve estar registrado na carteira de trabalho, caso contrário, caracteriza contrato por prazo indeterminado, podendo gerar um futura ação trabalhista'', esclarece.

Contratação fácil

Thiago Ribeiro dos Santos e Jorge José Lima Vicente são trabalhadores temporários contratadados pelo período de 90 dias, no setor de paletização da Confederação das Cooperativas Centrais Agropecuárias do Paraná (Confepar), voltada para a produção de leite.

Essa é a primeira experiência como temporário para ambos. Eles foram contratados devido ao aumento na produção do leite UHT (leite de caixinha) que passou de 12 para 18 mil litros de leite por hora. ''Com isso foi preciso aumentar a mão de obra'', explica o líder de produção Newton Ávila, responsável pelo setor de leite de caixinha.

A responsabilidade deles é a de repor as máquinas com embalagens de plástico e de papelão, além de retirar da esteira as caixas prontas com 12 embalagens e colocar nos paletts. ''Estou gostando do emprego, me adaptei bem e espero que ele se torne efetivo após o término do contrato'', diz Thiago.

A contratação da mão de obra temporária, segundo o gerente de Recursos Humanos da Confepar, Claúdio Cartaxo, se dá pela praticidade e agilidade na hora da contratação.''As agências especializadas em contratações possuem banco de dados e essas pessoas já vêm selecionadas pelas psicólogas direto para o cargo que irão ocupar. Isso gera mais assertividade'', explica.

Para ele, os trabalhadores temporários se comprometem mais. ''Eles se dedicam mais e a maioria acaba se tornando um funcionário efetivo'', diz.

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