Imagem ilustrativa da imagem Negócios com jeitinho de mãe
| Foto: Anderson Coelho
Após dois anos trabalhando em casa, Victória Libos comemora a expansão da sua empresa, ao lado da filha Alice, de 1 ano e 10 meses



Aquela máxima de que "a maternidade transforma as mulheres" tem desdobrado uma nova realidade. Assim como o amor de mãe, que dizem "só multiplica", o Empreendedorismo Materno (EM), também.
Essa modalidade de investimento envolve micro e pequenos negócios de mulheres que, em sua maioria, fizeram essa escolha profissional em decorrência da maternidade, como descreve a ilustradora e designer gráfica Camila Conti, cocriadora do Maternativa, grupo de debate e portal exclusivo para o EM. Ela atua em parceria com a pedagoga Ana Laura Castro, e juntas têm transformado a vida de milhares de mulheres, que assim como elas, sentem a necessidade pessoal e financeira de retomar a rotina profissional, sem abrir mão de ter mais tempo com os filhos.
Para se ter uma ideia, a pesquisa Perfil Maternativa, realizada no ano passado, revelou que das cem mulheres que participavam do site, 78% não eram empreendedoras antes de se tornarem mães. E os principais motivos que as levaram a abrir o próprio negócio foram: ficar mais perto dos filhos (19%), ter mais tempo, flexibilidade (16%), autonomia financeira (16%) e mais qualidade de vida (16%).
Criado em junho de 2015, o portal envolve hoje 9,5 mil mães e tem uma média mensal de 700 novas integrantes e cerca de mil empresas cadastradas. "Atuamos por meio de quatro eixos, que é o empreendedorismo, mercado de trabalho, feminismo e políticas afirmativas para mulheres. Iniciamos também, um projeto para oferecer consultoria às empresas que têm interesse em melhorar suas práticas em relação ao público materno nas organizações", detalha Camila.
Ainda de acordo com as criadoras do Maternativa, "o mercado de trabalho é extremamente despreparado para receber e lidar com as mães puérperas" e foi justamente essa consciência que as levou a traçar um novo caminho, pensando em ajudar outras mães.
"O site também se configurou como uma ferramenta para divulgação do trabalho das mães que ainda não têm site ou algum canal específico para seu produto ou serviço e oferecemos isso sempre de forma gratuita", comenta Ana Laura.

CAMINHO SEM VOLTA
Para o consultor e palestrante em Vendas, Pós-Vendas e Empreendedorismo, Jaques Grinberg, o empreendedorismo materno é um caminho sem volta e uma tendência mundial. "As pessoas estão percebendo que podem empreender sem ter necessariamente um espaço físico. Além disso, elas estão em busca de mais qualidade de vida e liberdade profissional e a internet possibilita isso com opções de comércio", avalia.
E se você é uma mãe que está pensando em empreender, Grinberg diz que o tempo de licença-maternidade pode ser aproveitado para amadurecer a ideia. Porém, salienta que é preciso ter certeza absoluta do que se quer.
"É importante estar motivada, considerar riscos e responsabilidades. A partir daí, buscar conhecimento, avaliar o mercado e montar um plano de negócio. Nessa hora, vale buscar uma consultoria ou mesmo um mentor para troca de ideias e avaliação de todo o processo", indica.
Além disso, se o canal de vendas for a internet é necessário saber empreender na rede, impulsionando a marca e estabelecendo um canal de comunicação objetivo e efetivo.
"Vale lembrar ainda que é fundamental aprender a administrar e separar a família dos negócios e não alimentar a ideia de que as amigas serão clientes. Busque pensar além, prospectando novos clientes", conclui.

PROFISSIONALIZAÇÃO
"Eu mesma havia criado o site, mas agora estou trabalhando com um consultor para criar uma campanha de vendas e captação de clientes. O momento é de profissionalizar", revela a empresária e estudante de Jornalismo Victória Libos, que criou há dois anos a Viela 43, marca de bodys, camisetas e moletons para bebês e algumas opções para a família. A produção, que no início era menor que 30 peças por mês, cresceu mais de 50% e demandou um investimento em marketing digital.
Victória conta que a ideia de trabalhar em casa começou quando ela engravidou aos 19 anos e uma amiga a incentivou. Juntas, começaram a produzir camisetas com estampas exclusivas para um público jovem. A sociedade foi interrompida e, no final de 2014, Victória montou seu próprio negócio, se tornando microempreendedora individual (MEI).
"Fiquei alguns meses parada após o nascimento da minha filha e foi quando surgiu uma motivação muito forte em reativar a marca, mas voltada para a infância. É um trabalho artesanal, porque tenho uma costureira e o processo de estamparia é feito por mim, em casa", comenta Victória, mãe da Alice, de 1 ano e 10 meses.
Hoje, o maior volume de sua produção é enviado para outros estados como o Rio de Janeiro, Rondônia e Acre.

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