Para se dedicar à Staff Digital e aos trabalhos em conformidade com seus propósitos, Leal precisou abrir mão do emprego em uma produtora e da condição de assalariado e não se arrependeu, nem perdeu dinheiro. "O jornalismo vive um momento de transição e de baixa remuneração em partes porque os modelos de negócios tradicionais não geram as mesmas receitas. Nesse caminho, aumentei de duas a quatro vezes os meus rendimentos mensais. Claro que essa variação tem a ver com a sazonalidade e a jornada de quem é patrão de si mesmo é sempre maior", revela.
Tratar a carreira de palestrante como um negócio é peça-chave para quem quer galgar um espaço definitivo neste mercado promissor. Dados da ABDT (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), indicam que 89% das empresas brasileiras de médio e grande porte contratam palestras todos os anos. O cachê médio é de R$ 5 mil, mas tal cifra não detalha se esse é o ganho bruto ou líquido. Segundo Leal, a negociação é bem variável, de R$ 200 a R$ 6 mil, assim como as condições de pagamentos (normalmente, 50% de sinal e 50% depois ou em até 30 dias) e se as despesas de transporte e hospedagens ficam a cargo do contratante ou palestrante. Há de se levar em conta o custo dos tributos pagos para a emissão da nota fiscal dos serviços prestados e, quando envolve viagem, o tempo do deslocamento, uma vez que esse é o ativo de qualquer profissional que negocia sua força de trabalho.
Ainda conforme dados do setor, a evolução do valor dos cachês dos palestrantes praticamente dobrou desde 2007 e segue crescente, acompanhando a profissionalização desse segmento, que quintuplicou desde a década de 90. Além disso, na ponta de cima do mercado de profissionais de palestras, o grupo "de elite", que recebe cifras de dois dígitos para ministrar palestras, saltou de 20 profissionais de renomes para quase 200, na última década. (M.M.)

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